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sábado, 15 de junho de 2024

Mudanças climáticas: estudo mostra que quanto mais quente, mais enxaquecas

 

Pelo menos 1 bilhão de mulheres, principalmente, e homens sofrem com a condição - (crédito: Freepik)


É o que diz um estudo a partir de relatos de pessoas, que se queixam de dores e incômodos, agravados quando aumentam as temperaturas. Agora os cientistas examinam se um medicamento já existente ajuda na prevenção


As mudanças climáticas atingem o organismo humano muito além do que se imagina. Um estudo mostra que quanto mais elevadas as temperaturas, maior a incidência de enxaqueca nas pessoas que têm o diagnóstico. É o que concluiu a pesquisa, realizada por cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade de Cincinnati, da Escola de Medicina Icahn em Mount Sinai, nos Estados Unidos que analisou 660 pacientes e seus relatos. Para os cientistas, a suspeita sobre essa influência é tão antiga que remonta os tempos de Hipócrates, o Pai da medicina, na Grécia Antiga.

"A mudança climática é um dos fatores desencadeantes mais comuns da enxaqueca", diz o principal autor do estudo, o professor e médico Vincent Martin, diretor do Centro de Dor de Cabeça e Dor Facial do Gardner Neuroscience Institute da UC e da UC Health, referindo-se aos resultados da pesquisa divulgada ontem e apresentada na 66ª Reunião Científica Anual da Sociedade Americana de Dor de Cabeça, neste mês, em San Diego, Califórnia, nos Estados Unidos.

Para o estudo, foram cruzados 71.030 registros diários dos 660 pacientes, que sofrem com enxaqueca, e os dados meteorológicos regionais e descobriram que para cada variação de temperatura de 10 graus Fahrenheit, o equivalente a menos 12º Celsius (ºC), ao dia, houve aumento de 6% na ocorrência de queixas de dores de cabeça.

"O que descobrimos foi que o aumento da temperatura foi um fator significativo na ocorrência de enxaquecas em todas as regiões dos Estados Unidos", afirma Martin. Al Peterlin, que se aposentou como meteorologista-chefe do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e coautor do estudo, lembrou de Hipócrates. "O pai da medicina acreditava que o clima e a medicina estavam intimamente ligados", ressalta. "Milhares de anos depois, estamos provando que o clima é importante para a saúde humana."

Estudo, de 2023, divulgado pela Universidade de São Paulo (USP) envolvendo o Centro de Dor do Hospital das Clínicas e da Faculdade de Medicina da USP, indicou que no mundo há 1 bilhão de pessoas que sofrem da condição, sendo que 20% a 30% são mulheres e, 6% a 15% homens. Economicamente, os impactos são imensos, pois muitas pessoas ficam incapacitadas para o trabalho.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cefaleia, a enxaqueca atinge só no Brasil, mais de 30 milhões de pessoas. Os especialistas advertem sobre as diferenças entre enxaqueca e as dores de cabeça em geral — chamadas de cefaleias do tipo tensional. A doença atinge de duas a três mulheres para cada homem, geralmente começando em torno dos 20 a 30 anos de idade, podendo ser a genética um dos fatores de sua causa.

 Prevenção

Os pesquisadores buscam agora verificar se a medicação à base de fremanezumab, que é aplicada como injeção, pode prevenir a condição em caso de influência das temperaturas ambientes. A medicação é produzida a partir de um conjunto de anticorpos monoclonais capaz de bloquear uma proteína conhecida como CGRP (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina), responsável pela transmissão da dor no cérebro e no sistema nervoso.

A medicação fremanezumab é vendida e indicada para o tratamento preventivo de enxaqueca em adultos que se queixam de, pelo menos, quatro dias de episódios de enxaqueca por mês. Porém, os pesquisadores querem verificar até onde essa medicação surte efeitos positivos para quem sofre da condição por causa da influência climática. Os resultados sobre esses estudos ainda não foram divulgados

Diferenças

A enxaqueca costuma atingir um lado da cabeça com intensidade de moderada à forte, podendo ser latejante e incapacitante, causando, às vezes, enjoo, além de incômodo com a luz e com o barulho. A recomendação é que se houver três ou mais dores de cabeça por mês, ao longo de três meses, é fundamental buscar ajuda médica para um tratamento específico.

Para a Sociedade Brasileira de Cefaleia, há vários tipos de tratamento para a enxaqueca, que vão desde medicações, fitoterápicos, neuroestimulador periférico, bloqueios anestésicos, acupuntura à toxina botulínica. Mas os especialistas dão o alerta que cada paciente deve ter um tratamento personalizado com planejamento terapêutico definido em consulta médica.

Fonte :  https://www.correiobraziliense.com.br/

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