Há linhas que não se cruzam. Há abismos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu atravessar o mais velho deles: publicou um vídeo que retrata Barack Obama e Michelle Obama como macacos. Não é meme, não é sátira; é racismo cru - daqueles que a história reconhece sem hesitação.
Associar pessoas negras a animais não é brincadeira nem excesso retórico; é técnica de desumanização, é o passo anterior à violência - repetido à exaustão por regimes e movimentos que aprenderam a odiar antes de aprender a governar. Quem finge ingenuidade sabe exatamente o que faz.
O mais grave não é a vileza do gesto isolado; é o cargo, é o selo institucional, é a normalização do inadmissível quando o chefe de Estado transforma o ódio em conteúdo oficial. Democracia não é licença para humilhar. Liberdade de expressão não é salvo-conduto para reencenar o pior do passado.
Condenar isso não é questão partidária; é linha civilizatória. Ou a gente diz basta agora, sem relativizar, sem rir nervoso, sem passar pano, ou aceita que o porão suba ao palco e peça aplausos.
Racismo não é opinião; é crime moral contra a humanidade. E não merece silêncio, nem eufemismo, nem meme; merece repúdio, sem adjetivo, sem atenuante, agora.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.