Sei que não serei simpático ao expor minha opinião sobre esse movimento chamado Marcha para Jesus.
Consolo-me ao lembrar que os profetas, em muitas ocasiões, também foram indesejados e considerados antipáticos por causa de suas mensagens. O próprio Senhor Jesus Cristo lamentou sobre Jerusalém, porque nela os profetas eram mortos por dizerem a verdade e, por isso, rejeitados.
O que conheço desse movimento acende em mim um alerta que me impede de participar e de incentivá-lo. Dizem que seus objetivos são:
1) Unidade entre denominações evangélicas. Não creio, nem um pouco, em um ecumenismo protestante. Já dei muitas voltas no “quarteirão da vida” para compreender que isso é, na prática, impossível. Históricos, pentecostais e neopentecostais não leem a mesma Bíblia da mesma forma, nem creem no mesmo Evangelho, embora todos se autodenominem evangélicos.
2) Evangelismo público. A Grande Comissão, conforme entendemos em Mateus 28.18–20, revela a naturalidade com que devemos evangelizar e fazer discípulos de Cristo. Fazer discípulos é um estilo de vida, assumido por quem vive em compromisso com a santidade. Viver Cristo diante das pessoas que nos cercam é o mais eficaz evangelismo público. Um soldado de Cristo marcha sempre, sem cessar, por meio de seu testemunho.
3) Louvor nas ruas (música, dança, oração). Se cada cristão transformar sua vida santificada em adoração — em verdadeira liturgia — esta será a mais poderosa marcha que se pode empreender.
4) Testemunho visível da fé cristã. Não precisamos de uma marcha para isso. Meu irmão, minha irmã: sejamos simplesmente sal da terra e luz do mundo, sem alarde, de maneira natural, em nossos pensamentos, palavras e ações.
Esse movimento, intitulado Marcha para Jesus, revela forte influência do movimento carismático neopentecostal e, portanto, em meu entendimento, encontra-se bastante distante das Escrituras. Está impregnado de uma teologia que sustenta ideias como a de “reivindicar territórios espirituais”, no contexto da chamada guerra espiritual.
Compreendo que ele se encontra, em grande medida, dissociado do ensino bíblico. Jesus frequentemente se esquivava das multidões; seu ministério jamais teve como objetivo a popularidade. Seus discursos combinavam graça e verdade: palavras suaves e amorosas, acompanhadas de sérias advertências. À luz disso, creio que o próprio Senhor não participaria de algo dessa natureza.
Não participo e não recomendo que os membros da igreja que pastoreio participem. A Constituição nos garante o direito de ir e vir, mas é necessária sabedoria bíblica e santidade para discernirmos para onde vamos — e de onde, e como, voltamos.
Devemos marchar para Jesus? Sim — todos os dias. Marchamos como santificados em nossos afazeres, responsabilidades, deveres e até nos momentos de lazer. Marchamos em nossos relacionamentos eclesiásticos, conjugal, pais e filhos, senhores e servos. Marchamos revestidos de toda a armadura de Deus, conforme lemos em Efésios 4.17 a 6.1-20.
Esta, sim, é a mais poderosa Marcha para Jesus que somos chamados a empreender.
Mauro Sergio Aiello
ABRIL DE 2026

























