Houve um rei que começou cedo demais no poder e tarde demais no temor. Ele herdou um trono, mas não herdou o coração do pai. Construiu altares onde não deveria, levantou ídolos dentro do templo, fez o povo errar e mergulhou a nação em trevas. O nome dele era Manassés e durante muito tempo sua história foi marcada por rebeldia, violência e arrogância espiritual.
Ele não tropeçou por fraqueza momentânea. Ele escolheu caminhos errados de forma persistente. A Bíblia diz que fez pior do que as nações que Deus havia expulsado. Influenciou uma geração inteira a se afastar. O trono que deveria proteger, corrompeu. A autoridade que deveria servir, oprimiu.
Então veio o que ninguém espera quando está no auge: queda.
Ele perdeu o trono.
Foi capturado.
Levado acorrentado para a Babilônia.
O rei virou prisioneiro.
O poderoso virou humilhado.
E é no fundo da prisão que a história muda.
Não foi no palácio.
Não foi diante do povo.
Foi na angústia.
“Estando ele em angústia, orou ao Senhor seu Deus, e humilhou-se muito…” (2 Crônicas 33:12).
Não há justificativa no texto.
Não há defesa.
Não há explicação.
Há humilhação.
E o que impressiona não é apenas o arrependimento é a resposta de Deus.
Deus ouviu.
Deus atendeu.
Deus o trouxe de volta.
Mas atenção: ele não voltou o mesmo homem. Ele começou a derrubar os altares que havia levantado. Começou a restaurar o que tinha destruído. A verdadeira restauração não foi o retorno ao trono. Foi a transformação do coração.
Manassés prova algo que incomoda tanto quanto consola: ninguém está tão alto que não possa cair, e ninguém está tão fundo que não possa ser ouvido. A misericórdia de Deus não apaga consequências, mas pode reescrever destinos quando há quebrantamento verdadeiro.
A queda revelou quem ele era.
A humilhação revelou quem ele poderia se tornar.
E às vezes, é no fundo da prisão que nasce o começo de uma nova história.

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