O Brasil tem um dos maiores ecossistemas de dados públicos do mundo.
Portal da Transparência, TSE, SIAFI, Compras.gov, Banco Central, Receita Federal.
Décadas de informação aberta.
O problema nunca foi falta de dado.
Foi falta de integração.
Nos últimos dias, o desenvolvedor Bruno César apresentou no X uma ferramenta que cruza mais de 70 bases oficiais a partir de um único CPF.
Em segundos, o sistema conecta:
• Pessoas físicas
• Empresas
• Contratos públicos
• Emendas parlamentares
• Fluxo de recursos
Segundo as demonstrações públicas, ele identifica padrões como:
• Contratos concentrados em empresas de familiares
• Emendas recorrentes para os mesmos grupos
• Divergências entre patrimônio declarado e movimentações associadas
Em um dos exemplos divulgados, o cruzamento apontou milhões em emendas destinadas a municípios com contratos ligados a aliados políticos.
Tudo com dados públicos.
Para reduzir risco jurídico, o desenvolvedor afirmou que a ferramenta deixará de usar termos como “corrupção” e passará a gerar um score percentual de risco — modelo semelhante ao usado por bancos em análises de crédito e compliance.
A intenção é revisar juridicamente o projeto, abrir o código e priorizar acesso a jornalistas e organizações da sociedade civil.
Não é a primeira vez que tecnologia impacta o controle público.
A Lava Jato utilizou cruzamento de dados financeiros.
CGU e TCU usam analytics para detectar fraudes.
A diferença aqui é escala.
E acesso.
Quando dados deixam de ser arquivos isolados e viram sistema integrado, o poder muda de lugar.
A lição não é política.
É estratégica.
Quem integra bases dispersas enxerga padrões invisíveis.
Nos negócios, isso significa cruzar dados de cliente, operação e financeiro antes do concorrente.
Dados isolados informam.
Dados integrados revelam.
Se você tivesse um painel que cruzasse todas as informações públicas de um parceiro ou gestor, usaria antes de fechar negócio? Ou antes de votar?
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