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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

ENTRE A FÉ E A TOGA




A relatoria do caso Master impõe ao ministro André Mendonça um teste que vai além dos autos. 

Indicado ao Supremo Tribunal Federal pelo ex-capitão sob a definição de que seria “terrivelmente evangélico”, Mendonça, que também é pastor, chega a um momento decisivo. 

Mostrar que, no exercício da toga, não há espaço para rótulos identitários, mas apenas para a Constituição.

Ao substituir Dias Toffoli na condução do processo, ele assume um caso que tangencia figuras influentes do meio evangélico. 

As investigações da Polícia Federal já alcançaram o pastor André Valadão, líder da Igreja Batista da Lagoinha, amigo do banqueiro Daniel Vorcaro. 

A Lagoinha controlava a fintech Clava Forte Bank, retirada do ar em meio ao escândalo. Valadão, também citado na CPI do INSS e alvo de pedido de quebra de sigilo, negou ter negócios com Vorcaro, afirmando conhecê-lo apenas no contexto da igreja.

Outro personagem central é o pastor e empresário Fabiano Zettel, ligado à Lagoinha e cunhado de Vorcaro. Preso ao tentar embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, Zettel é suspeito de operar o esquema investigado. 

Também chamou atenção por ter sido um dos principais doadores das campanhas de Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em 2022.

O caso provocou um racha público entre lideranças evangélicas. A senadora Damares Alves e o pastor Silas Malafaia trocaram acusações sobre possíveis vínculos de igrejas com o esquema sob investigação. 

O embate expôs fissuras internas e ampliou o alcance político do escândalo.

Nesse contexto, a condição de Mendonça como pastor, elemento exaltado em sua indicação, inevitavelmente retorna ao debate público. 

Não se questiona sua fé, direito individual assegurado pelo Estado laico. 

O ponto sensível é outro: como assegurar e demonstrar independência diante de um processo que envolve nomes ligados ao universo religioso que o apoiou?

Em um tribunal cuja legitimidade repousa na confiança social, a aparência de imparcialidade é quase tão decisiva quanto a própria imparcialidade. Cada despacho e cada voto serão analisados sob essa lente. 

O caso Master, assim, transforma-se em mais que uma controvérsia jurídica, converte-se em prova institucional. 

Para André Mendonça pode ser a oportunidade de afirmar que sua atuação não é guiada por afinidades religiosas ou políticas, mas pela estrita observância da Constituição. 

Entre a fé e a toga o país observará qual dimensão falará mais alto.

#reneruschel

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