A Prefeitura de São Paulo destinou R$ 5 milhões para dois eventos ligados à Igreja Renascer em Cristo e à Convenção Batista Lagoinha, responsável pelo Vira Brasil SP. Não estamos falando de convênio para assistência social, combate à fome ou acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade. Estamos falando de dinheiro público financiando celebrações religiosas nas festas de fim de ano.
Os próprios documentos detalham os cachês de artistas como Aline Barros, Anderson Freire, Preto no Branco e Soraya Moraes, com valores entre R$ 70 mil e R$ 220 mil. Não se questiona o talento ou a trajetória de ninguém. A questão é outra: cabe ao Estado pagar cachê religioso enquanto faltam recursos em áreas básicas?
O Brasil é um Estado laico. Isso significa que o poder público não deve favorecer uma tradição de fé em detrimento de outras, nem transformar política pública em extensão de agenda confessional. Quando milhões são destinados a eventos de igrejas específicas, cria-se um critério que não é técnico, mas político. Quem tem mais influência? Quem tem mais proximidade com o poder?
A reação nas redes e o acionamento do Tribunal de Contas do Município e do Ministério Público mostram que o debate é legítimo. Não se trata de perseguição a evangélicos. Trata-se de coerência republicana e respeito ao princípio da laicidade.
Como pastor, afirmo: a igreja não precisa de patrocínio estatal para cumprir sua missão. Quando a fé recorre ao cofre público para realizar seus espetáculos, algo se confunde. E quando o Estado financia eventos confessionais, a laicidade deixa de ser princípio e vira ornamento.
Se o dinheiro é público, ele deve servir a todos. Essa é a questão.
Você conseguiria imaginar Pilatos patrocinando a entrada de Jesus em Jerusalém ou Herodes bancando o evento em que Jesus multiplicou pães e peixes?
Então, da próxima vez que você vir um político recebendo uma oração especial durante um culto de sua igreja ou sendo apresentado em um evento, desconfie.
Hermes C Fernandes
#prefeituraSP #RENASCER #LAGOINHA #EstadoLaico

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