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terça-feira, 14 de julho de 2026

ORÇAMENTO SECRETO: EX PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS NA MIRA DA POLÍCIA FEDERAL

 



Intercepções da Polícia Federal (PF) mostram que o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (Republicanos) direcionava emendas parlamentares em Minas Gerais e disputava bases eleitorais com parlamentares em exercício, entre eles o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG).

A articulação é feita mesmo sem Cunha ocupar mandato desde a cassação, em 2016. Atualmente, ele se apresenta como pré-candidato a deputado federal por Minas nas eleições deste ano, de olho em retornar à Câmara pelos votos dos mineiros.

As conversas monitoradas pela PF embasaram a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, tornada pública no domingo (12), que determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões em bens de Cunha e a suspensão do pagamento das emendas sob investigação.

O valor corresponde ao montante que o ex-deputado teria coordenado no desvio de pelo menos 29 emendas da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados. Segundo a apuração, as mensagens atribuídas a Cunha partiram de um número salvo nas conversas apenas como “EC”, registrado não em nome do ex-deputado, mas de sua mulher, Cláudia Cordeiro Cruz.

Para os investigadores, o conteúdo das trocas com a servidora da Câmara Mariângela Fialek, tratada nas mensagens como “Tuca”, não deixa dúvida de que era o ex-deputado quem escrevia, apesar do celular estar formalmente vinculado a outra pessoa.


Disputa com Cleitinho e Nikolas


Em uma dessas conversas, Cunha reclama de um impasse em Manhuaçu, na Zona da Mata, porque a emenda em questão teria sido atribuída a Nikolas, quando na verdade seria dele. “Tou com um problema lá em uma das emendas de Manhuaçu que o pessoal lá é inimigo e estão dizendo que é do Nikolas”, escreve.

Irritado com a situação, ele pede que a emenda passe a constar em nome do deputado Gilberto Abramo (Republicanos-MG), com um ofício atribuindo o pedido original ao deputado estadual João Magalhães (PSD). A PF ainda apura se os parlamentares citados por Cunha tinham conhecimento ou participação no esquema.


🔗 Leia a matéria completa em O Fator.


📷 Foto: José Cruz/Agência Brasil.


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