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sábado, 26 de março de 2022

Mendigo espancado diz que perdoa personal e revela ter ‘medo de ser incriminado’

Há duas semanas, o homem foi espancado por um personal trainer que flagrou a esposa tendo relações sexuais com ele dentro do carro da mulher Depois das imagens do momento em que foi agredido viralizarem na internet, Givaldo Alves de Souza, 48, viu a vida mudar. Há duas semanas, o morador em situação de rua foi espancado por um personal trainer em Planaltina (DF), que flagrou a esposa tendo relações sexuais com ele dentro do carro da mulher. Givaldo está em Brasília desde dezembro do ano passado e revelou perdoar o agressor. Ele ainda afirma ter consciência de que a sua situação poderia ser outra caso não houvesse prova visual do caso. “Deus é tão maravilhoso que fez aquela mulher me parar debaixo de uma câmera”, disse. Ainda em recuperação, Givaldo está em um abrigo de Ceilândia (DF). Segundo conta, ele teve uma costela quebrada e tem dificuldades para andar e respirar, e que no hospital a dor era ‘insuportável’. “Seja para virar na cama, seja para levantar ou para dar um passo”. No entanto, ele alega que sua maior preocupação durante o tempo em que esteve internado era outra. “No hospital, senti medo do que poderiam me acusar”, disse em entrevista ao UOL. Souza contou conversou com “dois modestos senhores”, que ele acredita serem policiais e que os homens teriam o tranquilizado. Mesmo depois disso, um aviso que ficou ecoando em sua mente: “Então, cara, você tem que cuidar. Eles querem te empurrar um estupro”, teria dito um dos homens. “Fiquei preocupado nessa hora. Eu frequento a igreja católica ou a evangélica. Eu não tenho essa índole. Eu não preciso disso. […] Isso [estupro] nunca aconteceu e nunca vai acontecer.” Inicialmente tipificado como “legítima defesa de terceiros”, o caso segue sendo investigado pela Polícia Civil. O agressor, Eduardo Alves, de 31 anos, afirmou ter pensado que testemunhou um caso de estupro que envolvia a sua esposa, motivo este que o fez agredir Givaldo. Entretanto, até o momento, a violência sexual não foi confirmada pela investigação. Apesar das acusações do personal, Souza diz que não tem dúvidas de a Justiça será feita. “Caso ela [a Justiça] não fosse justa, eu não sairia de mãos soltas após ganhar alta no Hospital Regional de Planaltina. Milhares de pessoas podem me ver com maus olhos. Milhares de pessoas podem se colocar na situação — e têm a liberdade de ver, através da Polícia Civil, tanto aquele carro que tem meu sangue nele quanto as câmeras. Deus é tão maravilhoso que fez aquela mulher me parar debaixo de uma câmera. Se não fosse isso, seria uma acusação injusta. Uma mentira pode ser dita um milhão de vezes, sempre continuará sendo mentira. E a verdade não. Ela [a verdade] desfaz isso”, desabafa. Uma vida de infortúnios Nascido e criado no interior da Bahia, na cidade de Luís Eduardo Magalhães, Givaldo, ainda com o rosto machucado, relatou como foi parar em condição de rua. De acordo com ele, após terminar um casamento de mais de sete anos, ele se viu sem chão. Givaldo e a ex-eposa tiveram uma filha, hoje com 28 anos. “Trabalhei de tudo nessa vida. Apicultor, faxineiro, mecânico. Mas me vi sem futuro quando terminei meu casamento. Já estava com ela há anos, tivemos nossa filha, mas firmamos compromisso muito tempo depois.” Depois do divórcio e desempregado, Souza foi para Goiânia (GO), por ter sido avisado, por amigos, que a cidade era boa para morar, com oportunidade de trabalho e baixo custo de vida. O baiano conseguiu uma passagem de ônibus social e partiu em busca de uma vida melhor. Sem conseguir emprego, foi para o Distrito Federal de carona, onde, também sem encontrar oportunidades, conheceu o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop), localizado no centro de Brasília. O lugar é uma unidade pública da Assistência Social que apesar de não funcionar como um abrigo, oferece atendimento, dispõe de oficinas, atividades de convívio e socialização e também funciona como ponto de apoio para aquele que sobrevive nas ruas. “Foi no Centro Pop que soube do Instituto Cantar (abrigo), em Planaltina. Fiquei lá quatro meses. No meu último dia de unidade que conheci a mulher, foi quando minha vida virou do avesso. Precisei sair de lá porque temos um tempo máximo de quatro meses. Mas lá tomava banho, comia, conversava. Era bom”, relata. Ainda em conversa com o UOL, Givaldo revela que não pensa em voltar para a terra natal, e que tem desejo de voltar a trabalhar. Contudo, alega que mesmo com a circulação de seu nome, ainda não recebeu nenhuma proposta de emprego. “Quero ter meu canto, minha casa, minha cama. Juntar dinheiro pra visitar minha filha, que mora em São Paulo. Não quero fama não, sabe? Só seguir minha vida em paz”, disse. Desde o episódio, há duas semanas, não houve qualquer contato com a família. O morador em situação de rua diz não guardar rancor do casal, e muito menos da mulher. Souza quer ‘ter paz e para seguir em frente’. “Eu não tenho nada contra ele. As acusações falsas precisam ser analisadas e elas têm que ser desfeitas. Eu o perdoo”, finaliza. Fonte:https://jornaldebrasilia.com.br/

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