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domingo, 27 de março de 2022

Querem ser eleitos Com patrimônios milionários, empresários tentam se firmar como candidatos da “nova-política”

Congresso Nacional, em Brasília l Foto: Reprodução Com nova roupagem em discursos de geração de emprego, renda e movimentação da economia, grandes nomes do mercado empresarial goiano serão candidatos em 2022
Alguns nomes conhecidos no meio político goiano começaram a ascensão não em um mandato, mas no mercado empresarial. Há quem diga que políticos devam ser políticos e empresários. Sem misturar as coisas. Porém, alguns goianos que já eram destaque em algum ramo, se aventuraram em mandatos, os quais deram (muito!) certo, elevando até mesmo o fato de serem vistos primeiramente não como apenas empresários, mas como políticos de fato. Em se tratando dos goianos, dois grandes nomes estão eleitos pelo povo: Vanderlan Cardoso e Magda Mofatto. O primeiro é o dono do Grupo Cicopal e possui uma fortuna avaliada em mais de R$ 26 milhões. Empresário dos ramos alimentícios e de higiene, Vanderlan já foi prefeito de Senador Canedo e tentou se eleger para a Prefeitura de Goiânia e Governo de Goiás duas vezes. Já a segunda, com um patrimônio de mais de R$ 28 milhões, é dona de hotéis e clubes em Caldas Novas, através do grupo empresarial Di Roma. Em Goiás, outros empresários sinalizam pré-candidaturas, como Alexandre Baldy, Lissauer Vieira, Wilder Morais e seu irmão Willis Morais, Leonardo Rizzo, Sandro Mabel, Márcio Corrêa, Zé da Imperial, Edigar Diniz e Juraci Tesoura de Ouro. Mas como explicar o boom empresarial na política? Segundo a cientista política Ludmila Rosa, a classe empresarial sempre esteve com um pé na política, sendo sub-representada por políticos no Congresso Federal e com facilidade em escoar as demandas e pautando o seu entendimento de nação, de Estado e de economia. Rosa explica que já havia uma mobilização de recursos financeiros para construção de candidaturas competitivas, mas não àquelas que levariam a narrativa do empresariado para o campo eleitoral, sendo mais um “backstage” dos eleitos. “Às vezes, um candidato falava para os seus eleitores sobre pautas sociais, voltadas para a saúde, educação e melhora dos sistema de serviços públicos como um todo, mas que, subliminarmente, estaria sendo financiado ou representado por empresários e, aí, essa atuação dos seus financiadores se via materializada no campo prático do mandato, quando este se elegia”, diz. Para Ludmila, o start da mudança se dá pelos empresários conseguirem se organizar dentro da sociedade para se fazerem aceitos pelo público, inclusive de forma partidária. Como exemplo, ela cita o Novo, que é um partido dotado de pessoas do meio produtivo. Além disso, o campo político se estabelece agora com uma disputa de narrativas, não vendo mais o empresário como algoz dos direitos dos trabalhadores e se fazendo enxergar como produtos hegemônicos da luta de classes. “Fazem crer que a visão do empresário é a certa e que é boa para o país, pois movimenta a economia, gera emprego e renda”. Entretanto, a cientista política destaca que esse discurso não é natural e espontâneo, é cultivado a partir de investimento em marketing para que o pensamento popular seja alinhado com essa mentalidade de construção de uma sociedade próspera e que busca sua própria riqueza, batendo de frente com o momento de vida atual. “Estamos neste mesmo espaço, com uma vida voltada para a satisfação pessoal de trabalhar, ter dinheiro, ser um investidor, abrir uma empresa. O empreendedorismo trouxe um sonho, então acaba que essa narrativa que vem do empresariado se torna mais palatável para o povo brasileiro, configurando uma mudança de cultura. O meio empresarial chega e fala: ‘olha, nós somos a locomotiva do Brasil, somos nós quem levamos o país nas costas”, pontua a cientista. Para Guilherme Carvalho, também cientista político, essa mudança de concepção tem como marco a Operação Lava-Jato. Segundo ele, antes dessa ação de investigação, a relação de políticos e empresários era feita em uma espécie de submundo, não deixando transparecer as negociações, principalmente no que tange ao financiamento das campanhas. Depois da Lava-Jato, os empresários enxergaram no sistema político uma oportunidade deles mesmos se acenderem, se mostrando como diferentes, mesmo que já fossem envolvidos com a política de alguma forma. “Após a demonização da classe política, é possível observar que esses novos atores, não tão novos assim, enxergaram uma possibilidade de se valerem da política, por muitas das vezes, para atender os setores que eles mesmos representam e, até mesmos, criarem uma série de facilidade para os seus negócios”, afirma o professor. Carvalho destaca ainda que a deterioração da imagem do político tradicional abriu espaço para o empresário se apresentar como uma espécie de “não-político”, como alguém que vem do mercado e que não se valeria da política para fazer riqueza. Com esse discurso, Ludmila afirma que os empresários de sucesso, com seu ar de bom-gestores e com marcas já consolidadas, acabam encontrando espaço na política ao enxergar o jogo eleitoral como uma empresa. “O Estado tem uma natureza que é política, que é negociada e que não visa o lucro. Visa o abastecimento de nossas políticas e serviços públicos para a sociedade, devendo esta ser a maior beneficiada dessa empresa-estado, podendo usufruir daquilo que é função do governo, com a prestação de serviço de qualidade a todos os cidadãos”, afirma. Ambos cientistas concordam que o empresariado sempre teve um lugar prestigiado dentro da política, mas que agora, este espaço é mais consistente, conseguindo até mesmo serem ouvidos pelo eleitor brasileiro. Em relação a desvantagens e vantagens, Ludmila Rosa explica que o agrupamento político-empresarial no poder demonstra a diversidade no processo eleitoral e, em certo nível, uma transparência. “Antes, podíamos ter um candidato com um discurso voltado mais para o social e, na verdade, ele era um cavalo-de-troia, guardando dentro de si interesses que ele não representava, tendo ali um empresariado de maneira sub-reptícia”. A desvantagem é que se tivermos apenas essa classe no Congresso Federal, o que podemos esperar é o “enxugamento de conquistas que são constitucionais e que a gente vem tentando construir há muitos anos”. Segundo Ludmila, vantagens e desvantagens estão em um mesmo campo, basta saber interpretar como isso merece atenção. Por Ysabella Portela Fonte:https://www.jornalopcao.com.br/

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