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quinta-feira, 17 de março de 2022

Após injeção, mulher fica com bumbum deformado e perde o emprego

Foto: Arquivo Pessoal
Bruna está esperando retorno em uma consulta para saber seu estado de saúde. Um exame indicou um cisto e líquido ainda na área infeccionada Depois de receber uma injeção em um pronto-socorro, uma mulher de 38 anos ficou com o glúteo esquerdo deformado. O caso aconteceu em Santos, litoral de São Paulo. Uma investigação sobre o ocorrido está em andamento. A cuidadora de idosos, Bruna França Sobral, ao sentir um pouco de falta de ar, foi até a Unidade de Pronto Atendimento Zona Noroeste no dia 7 de janeiro. “Fiquei com medo de ser Covid. Mas lá, não constou febre nem nada, disseram que eu tinha asma, sendo que tenho 38 anos e nunca havia sido diagnosticada na minha vida. Então, o médico me receitou um corticoide na nádega”, contou em entrevista ao g1. De acordo com ela, instantes após a enfermeira aplicar a medicação, ela começou a sentir o local da injeção arder. “Antes de ela aplicar, eu perguntei ‘você não está aplicando muito abaixo?’, e ela me respondeu ‘você quer fazer?’. Então, fiquei quieta. O atendimento é desumano por parte de algumas pessoas ali”, afirma. Bruna, então, retornou para casa e passou o dia seguinte com forte dor que aumentava ao longo do dia. O glúteo da mulher estava inchado e foi ficando cada vez mais vermelha. A cuidadora voltou à UPA e lhe foi receitado uma benzetacil no outro glúteo, dessa vez, o direito. “Não adiantou nada, e só foi piorando e criando pus. Fui a semana inteira na UPA, e em nenhum momento nenhum médico pediu exame de sangue”, afirma. Depois de não suportar as dores e a febre, Bruna procurou atendimento particular. Neste outro hospital foi solicitado um exame de sangue, e ela foi internada. “A médica do hospital particular disse que eu estava com uma infecção grave, e também precisaria tomar remédio intravenoso. Eu consegui ficar alguns dias no hospital, mas não teria dinheiro para pagar mais dias, então, fui liberada para terminar o tratamento em casa”, conta. A paciente também conta que, após o atendimento particular, ainda devido às dores, teve de retornar à UPA. “Ardia, eu gritava, era uma dor muito forte, que eu não aguentava mais. Quando o ferimento abriu, eu voltei à UPA, porque não tinha mais dinheiro para retornar no particular. Fiz mais exames, depois, fui no posto de saúde, e lá fui orientada sobre o tratamento adequado, que teria pelo SUS, e comecei a encontrar pessoas que me ajudaram na Policlínica José Menino”, conta. Ainda em acompanhamento médico, Bruna está esperando retorno em uma consulta para saber seu estado de saúde. Segundo ela, um exame de ultrassom indicou a presença de um cisto e líquido ainda na área infeccionada. “Meu bumbum, do lado esquerdo, parece que está amassado, está com uma cicatriz horrorosa. Eu até perdi o emprego, porque não aguentava ir trabalhar com dor. Isso não é justo, o nosso sistema de saúde pública precisa melhorar. Ainda estou muito abalada e indignada”, desabafa. Posicionamento A SPDM, organização social que cuida da gestão da UPA Zona norte, informou, por meio de uma nota, que a paciente deu entrada na unidade no dia 7 de janeiro relatando falta de ar há três dias, e que estava fazendo uso de medicamentos, mas sem melhora. A SPDM alega que a UPA não forneceu diagnóstico de asma à Bruna. A organização confirma que depois do dia 7, a paciente passou por outros atendimentos, mas que não evidenciou qualquer complicação aos cuidados prestados anteriormente. “Não é possível afirmar que a lesão evidenciada em fotos seja por erro no procedimento de aplicação do medicamento”, completa a SPDM. A Secretaria de Saúde de Santos, informou, por sua vez, que a paciente está tendo acompanhamento pela Policlínica do Morro José Menino. Entre os dias 28 de janeiro e 15 de fevereiro, realizou curativos com duas sessões de laserterapia. De acordo com a pasta, no dia 15 de fevereiro, foi receitado um antibiótico no dia 16 foram coletados exames. Bruna tem retorno marcado para o dia 23 de março. Caso seja preciso antecipar a consulta, a policlínica se disponibiliza para atender a paciente. Infecção Segundo Evaldo Stanislau, médico infectologista, entre as possibilidades da causa da infecção, pode ter acontecido um problema na ténica de aplicação da injeção. “Eventualmente, você pega uma estrutura vascular, tem um pequeno sangramento, uma coleção [termo técnico para acúmulo de líquido ou sangue no local] que se forma ali, e isso evolui com uma necrose do tecido, com um processo inflamatório regional, e pode evoluir com uma infecção secundária”, afirma. Ainda de acordo com Stanislau, também pode ter acontecido uma contaminação grosseira na hora da aplicação, por uma técnica também inadequada de aplicação “E essa contaminação durante a aplicação pode ter levado a esse quadro local. E a terceira possibilidade é de algum problema com a medicação que leve a uma necrose dos tecidos, à formação de um abcesso no local e essa evolução”, explica. O tratamento da infecção conta com cuidados locais de higiene, calor e medidas anti-inflamatórias. “Dependendo da extensão, a drenagem e a remoção de todo esse tecido desvitalizado, e o uso de antibióticos sistêmicos. Se for um paciente imunodeprimido, idoso, dependendo da extensão e das áreas comprometidas, isso pode levar a outras complicações secundárias, tanto no local quanto sistêmicas, que eventualmente tem até uma gravidade”, conclui. Foto: Arquivo Pessoal
Fonte:https://jornaldebrasilia.com.br/

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