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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Sobrevivente de Auschwitz que venceu negacionistas do Holocausto na Justiça morre aos 95

Ele não resistiu a complicações da Covid-19 e morreu em casa, no estado americano da Califórnia, disse a filha à imprensa americana Morreu na última sexta-feira (28), aos 95 anos, o sobrevivente do Holocausto Mel Mermelstein, que se fez conhecido nos anos 1980 por vencer na Justiça dos Estados Unidos uma batalha legal contra negacionistas do genocídio judeu. Ele não resistiu a complicações da Covid-19 e morreu em casa, no estado americano da Califórnia, disse a filha à imprensa americana. Nascido em Mukachevo -cidade hoje na Ucrânia, mas à época parte da então Tchecoslováquia-, Mermelstein foi preso por ocasião da ocupação nazista da Hungria, em 1944, e levado aos 17 anos para o campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, junto da família. Sua mãe e as irmãs morreram em câmaras de gás no local, e o pai e os irmãos morreram de fome, segundo levantamento do jornal americano The Washington Post. Quando o Exército soviético libertou os prisioneiros de Auschwitz, o rapaz era o único sobrevivente da família e foi levado para a Alemanha pesando 31 quilos e com tifo. Em 1946, emigrou para os Estados Unidos e chegou a ir para a Guerra da Coreia, em 1950, antes de ser contratado pela ONU como tradutor, por falar sete línguas. Depois, estabeleceu-se na Califórnia, onde abriu uma empresa de carpintaria. Mermelstein ganhou as páginas dos noticiários nos EUA quando venceu uma batalha legal contra um grupo chamado Instituto de Revisão Histórica, que questionava a extensão e até mesmo a existência do Holocausto, definido por eles como uma mentira contada para atrair simpatia aos judeus e justificar a criação do Estado de Israel. O grupo chegou a convocar uma “convenção revisionista inaugural” em 1979 e ofereceu uma recompensa de US$ 50 mil para quem pudesse provar que os nazistas, de fato, usaram câmaras de gás para exterminar judeus. Mermelstein soube da iniciativa quando recebeu um formulário pelo correio convocando para o desafio –outros sobreviventes também foram chamados. Ao escrever sobre o absurdo da proposta para jornais locais, o sobrevivente chegou a ouvir do instituto que ele estava tentando fugir do debate e que sua família vivia sob nomes falsos em Israel, relatou o jornal The New York Times. Ao diário canadense Toronto Star, Mermelstein disse, anos depois, que o grupo “escolheu mexer com o judeu errado”. O sobrevivente traçou uma estratégia para levar os negacionistas aos tribunais. Sob protestos de amigos e conselhos de um advogado, topou o desafio do grupo e entregou como prova do horror do genocídio judeu uma cópia de seu livro de memórias, lançado naquele ano, “By Bread Alone: The Story of A-4685” (nem só de pão: a história do prisioneiro A-4685). Quando o instituto não pagou o prêmio oferecido de US$ 50 mil, Mermelstein entrou na Justiça reivindicando o dinheiro e pedindo uma indenização de US$ 17 milhões por difamação, quebra de contrato, danos morais e injúria por negar fato estabelecido. Foi sob o último argumento que um juiz de Los Angeles deu vitória ao judeu em 1981. Na sentença, o juiz escreveu: “Este tribunal reconhece judicialmente o fato de que os judeus foram mortos com gás no campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, durante o verão de 1944. Isso não está em questão […] É simplesmente um fato”. Do valor reivindicado, o grupo pagou ao sobrevivente o prêmio de US$ 50 mil e US$ 40 mil de indenização, mais tarde reconhecendo publicamente o massacre em Auschwitz. Mas Mermelstein não parou por aí: em 1986, venceu um processo de US$ 5,25 milhões contra um editor sueco que integrara o tal instituto e não só se recusou a participar do acordo como passou a perseguir o judeu, mandando inclusive uma correspondência com o que seria o cabelo de vítimas das câmaras de gás. A história de Mermelstein foi retratada em um filme para a TV americana, chamado “Never Forget” (nunca se esqueça), em 1991. Atuante na comunidade dos sobreviventes do genocídio judeu, ele voltou a Auschwitz uma série de vezes a partir de 1967. Também passou a colecionar objetos ligados ao Holocausto, montou um pequeno museu e fundou uma associação de estudos sobre os eventos ocorridos no campo de concentração. Fonte:https://jornaldebrasilia.com.br/

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