segunda-feira, 15 de junho de 2026

EMPREGADA DOMÉSTICA É RESGATADA APÓS 49 ANOS EM CONDIÇÕES ANÁLOGAS A ESCRAVIDÃO

 



Uma trabalhadora doméstica de 62 anos foi resgatada em Bragança Paulista, no interior de São Paulo, após passar 49 anos submetida a condições análogas à escravidão. A operação foi realizada em 10 de junho pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), a partir de denúncias registradas no Sistema Ipê e de investigação conduzida pela Procuradoria Regional do Trabalho da 15ª Região.

Segundo a fiscalização, a mulher começou a trabalhar para a mesma família aos 12 anos de idade. Retirada da escola ainda na infância, permaneceu analfabeta e dedicou praticamente toda a sua vida às atividades domésticas. Durante décadas, trabalhou sem folgas semanais, férias ou períodos regulares de descanso, tendo sua rotina completamente subordinada às necessidades da família empregadora.

Os auditores constataram que, apesar de ter tido a carteira assinada em parte do período e receber salário, a trabalhadora não possuía autonomia sobre os próprios rendimentos. Após se aposentar, em 2015, deixou de receber qualquer pagamento, mas continuou exercendo as mesmas funções. Nos últimos anos, passou a cuidar integralmente da empregadora, uma idosa acamada, permanecendo disponível dia e noite, em uma rotina marcada pela privação de sono e pelo desgaste físico e emocional.

A investigação também identificou um quadro profundo de isolamento social. A trabalhadora não constituiu família, tinha contato restrito com parentes e raramente saía da residência. Quando visitava familiares, permanecia acompanhada pela empregadora e por curtos períodos. Mesmo em eventos da família, não participava das refeições e seguia trabalhando durante todo o tempo.

De acordo com a fiscalização, mecanismos de controle psicológico contribuíram para manter a vítima vinculada à situação de exploração. Ela acreditava que a empregadora poderia morrer caso deixasse a casa, sentimento que reforçou sua permanência no local por décadas.

Após o resgate, a Inspeção do Trabalho determinou seu afastamento imediato. Também foi elaborado um cálculo de verbas rescisórias e indenizações que ultrapassa R$ 1,7 milhão.


Fonte: Mídia Ninja

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