Essa afirmação ignora séculos de história e apaga uma parte importante da contribuição africana para o Cristianismo.
Muito antes da chegada dos colonizadores europeus, o Cristianismo já estava presente em África.
A Etiópia tornou-se oficialmente cristã no século IV, sendo uma das nações cristãs mais antigas do mundo. O Egito foi um dos principais centros do Cristianismo primitivo, e o Norte de África tornou-se um dos maiores polos de produção teológica da Antiguidade.
Quando os europeus iniciaram a colonização do continente africano, eles não encontraram uma África totalmente desconhecedora de Cristo. Em várias regiões do continente, a fé cristã já possuía séculos de existência.
A prova disso está na própria história da Igreja.
Alguns dos mais importantes Pais da Igreja eram africanos.
Tertuliano, nascido em Cartago (atual Tunísia), é considerado um dos pais da teologia cristã latina. Foi ele quem ajudou a desenvolver conceitos teológicos que mais tarde seriam fundamentais para a Igreja.
Cipriano de Cartago, também africano, destacou-se como um dos mais influentes líderes cristãos do século III, defendendo a unidade da Igreja em tempos de perseguição.
Atanásio de Alexandria, do Egito, foi um dos maiores defensores da divindade de Cristo e desempenhou um papel decisivo na formulação da doutrina cristã durante os grandes debates teológicos da antiguidade.
Clemente de Alexandria e Orígenes, ambos ligados à escola teológica de Alexandria, contribuíram enormemente para a interpretação das Escrituras e para o desenvolvimento do pensamento cristão.
Agostinho de Hipona, nascido na região que hoje pertence à Argélia, é amplamente reconhecido como um dos maiores teólogos da história do Cristianismo. Suas obras influenciaram católicos, ortodoxos e protestantes ao longo dos séculos.
Esses homens não eram europeus. Eram africanos que ajudaram a moldar a teologia cristã muito antes da expansão colonial europeia.
Além disso, a própria Bíblia demonstra a importância de África na história da salvação.
O Egito aparece em diversos momentos das Escrituras. Moisés foi criado em solo africano.
Jesus encontrou refúgio no Egito durante sua infância. Simão de Cirene, que ajudou a carregar a cruz de Cristo, era africano.
O primeiro gentio africano convertido mencionado no livro de Atos foi o oficial etíope evangelizado por Filipe.
Diante desses fatos, torna-se impossível sustentar a ideia de que os colonizadores trouxeram o Cristianismo para África pela primeira vez.
O que os colonizadores trouxeram foi uma expressão colonial do Cristianismo, frequentemente associada a projetos de dominação política, económica e cultural.
Mas o Cristianismo já existia em África.
A teologia cristã já era produzida em África.
Grandes líderes da Igreja já surgiam em África.
Séculos antes de qualquer império europeu erguer suas bandeiras no continente.
A verdade histórica é simples:
África não recebeu o Cristianismo da Europa.
África ajudou a construir o Cristianismo que a Europa mais tarde abraçou.
Por: Josmar Atalaia ( José Lubango)✍️

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