O cenário político em Minas Gerais ganhou novos capítulos de tensão após uma troca de declarações públicas entre o senador Cleitinho (MG) e o presidente nacional do Republicanos, o deputado federal e bispo da Igreja Universal Marcos Pereira.
A divergência gira em torno da garantia de legenda para uma eventual candidatura de Cleitinho ao governo mineiro nas eleições de 2026.
A reação de Marcos Pereira
Após Cleitinho manifestar publicamente que não confiava totalmente nas promessas da cúpula de seu partido, Marcos Pereira reagiu de forma incisiva.
O presidente do Republicanos afirmou que o senador "não tem segurança do que realmente quer" e ressaltou que, embora já tenha assegurado a legenda ao parlamentar por diversas vezes, Cleitinho parece não conhecê-lo o suficiente para saber que ele possui "uma só palavra".
As duras críticas de Cleitinho
O mal-estar se intensificou após uma entrevista de Cleitinho à newsletter Jogo Político, do jornal O Globo.
Na ocasião, o senador não poupou críticas a figuras ligadas à sua própria legenda.
Ele chamou o ex-deputado Eduardo Cunha — aposta do Republicanos para puxar votos em Minas Gerais — de "vagabundo" e disparou contra o bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal, rotulando-o de "falso profeta".
Cleitinho, que aparece liderando as pesquisas de intenção de voto no estado (com 37% na última pesquisa Quaest), adota uma estratégia de mistério sobre suas reais intenções para o Executivo mineiro.
O parlamentar declarou que só pretende tomar uma decisão definitiva mais adiante, ironizando a pressa de adversários que estão atrás nas pesquisas e afirmando que, no momento, prefere focar em assistir aos jogos da Copa do Mundo.
O fator Flávio Bolsonaro e o PL
A indefinição de Cleitinho mexe diretamente com as estratégias da direita no estado. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, atua para consolidar um palanque forte em Minas Gerais e saiu em defesa do aliado.
Flávio declarou confiar "100%" em Cleitinho, elogiando sua capacidade para assumir um cargo no Executivo e rebatendo críticas de que ele não estaria preparado.
Apesar do apoio explícito do grupo bolsonarista ao nome de Cleitinho, o PL também trabalha com outros cenários de bastidores.
Em reuniões recentes com o próprio Marcos Pereira, dirigentes do PL ventilaram desenhos alternativos que incluem o empresário Flávio Roscoe (ex-presidente da Fiemg) na cabeça de chapa ou compondo como vice em uma eventual aliança formal entre as duas siglas.
Fontes:
Reportagem de Fernanda Alves publicada no portal O Globo em 05/06/2026.
Entrevistas concedidas à newsletter Jogo Político (por Thiago Prado) e ao jornal O Tempo.
Dados de intenção de voto citados da pesquisa Quaest.

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