Durante o período em que esteve no país, foi dopada e submetida a abusos sexuais | Foto: Arquivo pessoal.
João Reynol
Durante três anos, cabeleireira afirma ter sido vítima de violência sexual, ameaças e exploração financeira nos Estados Unidos; caso se soma a um cenário recorde de violência contra mulheres brasileiras.
A cabeleireira Aline Alves da Silva, de 38 anos, afirma ter vivido um período de violência e exploração sexual durante três anos ao lado do ex-marido e de familiares dele nos Estados Unidos da América (EUA). A informação foi divulgada pelo jornal A TARDE.
O caso começou quando Aline e seus três filhos se mudaram para os Estados Unidos para morar com a família do então companheiro. Segundo ela, durante o período em que esteve no país, foi dopada e submetida a abusos sexuais. Os estupros teriam sido gravados e comercializados na internet para obtenção de lucro.
Além do ex-marido, Aline relatou que um casal de tios dele participava das agressões e dos abusos. Ela também afirma que os familiares faziam ameaças de sequestrar seus filhos caso tentasse fugir ou denunciar os crimes.
A mulher passou a desconfiar da situação após sofrer recorrentes problemas de saúde que, posteriormente, associou a um possível envenenamento. Entre os sintomas relatados estavam episódios de quase desmaio, perda de sensibilidade, queda de cabelo e problemas gastrointestinais.
“Comecei a ter episódios de quase desmaios. Perdia os sentidos, mas não a consciência. Vieram também queda de cabelo, cólica intestinal, vômito, diarreia. As pontas dos meus dedos ficavam amortecidas, minha saúde foi se deteriorando cada vez mais”, relembra.
Após descobrir os supostos crimes, Aline procurou a polícia norte-americana para denunciar o caso, mas afirma que não recebeu o atendimento esperado das autoridades.
“O caso correu na vara da família. O certo era ter ido para a área criminal. Acho que engavetaram porque eu sou latina e seria um processo internacional”, disse.
Segundo ela, a mesma falta de assistência foi percebida quando buscou apoio junto ao Consulado do Brasil e ao Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty). Diante da situação, precisou viver por cinco meses com os filhos em um abrigo para escapar do ex-companheiro e de seus familiares até conseguir retornar ao Brasil.
O caso relatado por Aline ocorre em um contexto de crescimento da violência contra a mulher. Segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em parceria com o Datafolha, 21,4 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência em 2025, o equivalente a 37,5% das mulheres com 16 anos ou mais.
As vítimas relataram ter sofrido, em média, 3,2 tipos diferentes de violência no período. As formas mais recorrentes foram a violência psicológica, a violência física e o stalking. A violência sexual aparece logo em seguida: ofensas sexuais ou tentativas forçadas de relação atingiram 10,7% das entrevistadas, o equivalente a aproximadamente 5,3 milhões de mulheres.
Nesses casos, a maioria dos autores das agressões era conhecida das vítimas. Parceiros ou ex-parceiros íntimos correspondiam à maior parcela dos agressores: 40% eram cônjuges ou namorados atuais e 26,8% eram ex-companheiros. Os crimes também ocorreram predominantemente dentro de casa, que foi o local da agressão mais grave para 57% das vítimas.
Fonte: Jornal OPÇÃO

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