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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Avanço da IA generativa aumenta circulação de conteúdos fraudulentos na internet

 

              Novela de frutas | Foto: Reprodução


Cilas Gontijo


Com ferramentas cada vez mais sofisticadas, criminosos passaram a criar anúncios, vídeos e perfis artificiais capazes de simular credibilidade, dificultando a identificação de fraudes por parte dos consumidores.

expansão da inteligência artificial generativa tem impulsionado uma nova onda de conteúdos enganosos e produtos falsos nas redes sociais e plataformas digitais. Com ferramentas cada vez mais sofisticadas, criminosos passaram a criar anúncios, vídeos e perfis artificiais capazes de simular credibilidade, dificultando a identificação de fraudes por parte dos consumidores.

Levantamento do Observatório Lupa mostra que a disseminação de conteúdos falsos produzidos com apoio de IA cresceu mais de 300% entre 2024 e 2025 no Brasil. Inicialmente associada a golpes digitais e montagens com celebridades, a tecnologia passou a ser usada também em campanhas ideológicas e estratégias de manipulação em larga escala.

A popularização de imagens, vídeos e vozes sintéticas elevou o nível de sofisticação dos golpes. Diferentemente das fraudes tradicionais, marcadas por erros de escrita e baixa qualidade visual, os novos conteúdos apresentam aparência profissional e conseguem ser replicados rapidamente em diferentes formatos.

Entre os casos mais comuns estão vídeos falsos utilizando a imagem de personalidades conhecidas para promover produtos milagrosos, suplementos sem comprovação científica e promessas de cura rápida. Deepfakes — técnica que recria rostos e vozes — também têm sido usados para simular pedidos de ajuda, cobranças indevidas e mensagens fraudulentas.

Outro fenômeno envolve a comercialização de produtos digitais criados artificialmente, como e-books, cursos e conteúdos espirituais divulgados por personagens inexistentes. Em muitos casos, perfis automatizados simulam especialistas, religiosos ou influenciadores para gerar confiança e estimular compras.

A prática também alcançou aplicativos de entrega e comércio online. Imagens produzidas por IA passaram a ilustrar refeições e mercadorias com aparência mais atrativa do que a realidade, levantando questionamentos  sobre transparência e direitos do consumidor.

Especialistas alertam que a principal defesa contra esse tipo de golpe continua sendo a verificação cuidadosa das informações. Observar inconsistências visuais, analisar o histórico do perfil, verificar comentários de outros usuários e desconfiar de promessas exageradas são medidas recomendadas para reduzir riscos.

Enquanto o volume de conteúdos artificiais cresce, plataformas digitais enfrentam pressão para ampliar mecanismos de identificação e controle. Empresas de tecnologia têm investido em ferramentas de detecção de fraudes e remoção de anúncios suspeitos, mas ainda existe dificuldade em acompanhar a velocidade de produção desses materiais.

O avanço da IA generativa também reacende debates sobre regulamentação. No Brasil, propostas de legislação buscam estabelecer parâmetros para o uso da tecnologia, incluindo responsabilidades de empresas e desenvolvedores diante de possíveis danos causados por conteúdos falsos.


Fonte: Jornal OPÇÃO

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