quarta-feira, 13 de maio de 2026

ACONTECEU NA POSSE DO MINISTRO NUNES MARQUES NO TSE, INDICADO POR JAIR BOLSONARO

 



Na posse de Nunes Marques no TSE, Brasília produziu uma dessas cenas que parecem escritas por um roteirista bêbado, mas foram apenas organizadas pelo cerimonial.

O ministro indicado por Bolsonaro ao Supremo assumiu o comando da Justiça Eleitoral para 2026 e, diante de Lula, Janja, Michelle Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e demais habitantes do zoológico institucional da República, fez uma defesa enfática das urnas eletrônicas.

Chamou o sistema brasileiro de “patrimônio institucional da democracia” e disse que, na recepção e apuração dos votos, temos o modelo mais avançado do mundo.

Traduzindo para o dialeto do zap: o ministro de Bolsonaro subiu à tribuna para dizer que a urna que Bolsonaro tentou desacreditar funciona.

É quase poesia. Cruel, mas poesia.

Enquanto isso, Michelle Bolsonaro, depois de anos de bolsonarismo tratando Alexandre de Moraes como encarnação do apocalipse, sentou-se perto de Viviane Barci, esposa do ministro. Houve cumprimento, breve interação, pose de civilidade, aquela coreografia em que Brasília finge que a República ainda é uma senhora educada, mesmo quando metade dos convidados passou os últimos anos chutando a mesa.

Nos bastidores, a conversa era outra: dosimetria, STF, golpistas do 8 de janeiro, articulações, resistências internas, pressão da oposição. Paulinho da Força saiu dizendo estar tranquilo. Bolsonarista saiu desconfiado. Moraes saiu Moraes. E Brasília saiu fazendo aquilo que sabe fazer: transformar cada aperto de mão em tratado de paz e cada suspiro em cálculo sucessório.

Nunes Marques agora tenta vender a imagem de pacificador: defensor das urnas, prudente contra abusos, atento à inteligência artificial e à desinformação.

Pode ser o “martelinho de ouro” da institucionalidade. Pode ser o “10% de Bolsonaro no STF” em versão TSE. Mas a cena de ontem já rendeu uma verdade deliciosa: até o ministro indicado por Bolsonaro precisou defender, em público, o sistema eleitoral que o bolsonarismo tentou destruir.

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