Estar distante da instituição não me afastou da ideia de igreja.
Ao contrário: fez reacender em mim uma convicção antiga, dessas que a gente carrega por dentro, mas que, às vezes, vai perdendo nitidez no meio das urgências, agendas e engrenagens religiosas.
Igreja, no sentido mais verdadeiro, nunca foi apenas lugar, programação ou estrutura.
Igreja é comunidade.
É encontro.
É mesa.
É oração compartilhada.
É cuidado entre irmãos.
É gente caminhando junto, repartindo vida, esperança e fé.
Nisso eu nunca deixei de crer.
Mas há momentos em que a estrutura cresce tanto que começa a tomar o lugar da própria comunidade.
A agenda fica maior que as pessoas.
A presença vira cobrança.
O serviço vira peso.
O descanso vira culpa.
E aquilo que deveria cuidar da alma começa a exigir que a alma funcione sem parar.
Quando isso acontece, a fé vai ficando pesada.
Não porque Deus seja pesado.
Não porque a comunhão seja pesada.
Não porque servir seja pesado.
Mas porque aquilo que deveria nascer do amor passa a ser sustentado pela culpa.
Talvez muita gente não esteja rejeitando a igreja.
Talvez esteja apenas cansada de ver a beleza da comunidade ser engolida por uma engrenagem religiosa que exige demais, escuta pouco e chama esgotamento de falta de compromisso.
Uma comunidade saudável ajuda a alma a respirar.
Uma engrenagem religiosa exige que a alma continue produzindo, mesmo quando já não consegue mais viver.
Não se trata de abandonar a igreja.
Trata-se de reencontrar a igreja antes que a instituição religiosa ocupe todo o espaço que deveria pertencer à vida, à consciência, à família, ao descanso, à liberdade e a Deus.
Você também sente que, em alguns lugares, a comunidade foi sendo engolida pela engrenagem?
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