Adriane Lopes, prefeita filiada ao PP, em registro oficial no gabinete. (Foto: Reprodução)
Levantamento detalha como líderes da Igreja Assembleia de Deus Missões assumiram o controle de órgãos vitais e orçamentos bilionários na capital sul-mato-grossense.
Por: Izael Nascimento
CAMPO GRANDE — A gestão de Adriane Lopes em Campo Grande consolidou um plano de poder que coloca lideranças da Igreja Assembleia de Deus Missões (IADMCG) no comando de setores estratégicos da administração pública.
Atualmente, pelo menos 12 pastores ocupam cargos de confiança, gerenciando diretamente o orçamento municipal de R$ 6,9 bilhões previsto para este ano.
Essas nomeações geram um custo mensal superior a R$ 130 mil na folha de pagamento da prefeitura. Além do impacto financeiro, esses nomes detêm o poder de decisão sobre licitações, contratações de serviços essenciais e a definição de políticas públicas que afetam toda a capital sul-mato-grossense.
O controle do cofre municipal está sob a responsabilidade de Isaac José de Araújo, secretário municipal de Fazenda e pastor da denominação.
Com formação em economia, ele era o responsável pela contabilidade interna da Igreja Assembleia de Deus Missões antes de assumir a gestão do orçamento bilionário da cidade.
A influência religiosa se estende a órgãos de regulação e trânsito. Paulo da Silva comanda a Agência de Regulação (Agereg), enquanto Ciro Vieira Ferreira é o diretor-presidente da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran).
Juntos, eles controlam recursos que somam R$ 100,9 milhões, incluindo a arrecadação com multas.
Domínio na saúde e educação
A Secretaria de Saúde, que possui a maior fatia do orçamento (R$ 2 bilhões), abriga quatro pastores em cargos ligados ao setor financeiro e de licitações.
Entre eles estão Julinei Herão Ferreira, gerente financeiro, e Fausto Azevedo Tlaes, que chefia a gerência de Suprimentos e Abastecimento.
Na área da educação, o pastor Emerson Irala de Souza atua como analista técnico, participando da fase preparatória de processos administrativos para aquisição de bens e contratação de serviços.
Outros líderes ocupam postos na Casa Civil e na Agência de Habitação.
Crise de popularidade e polêmicas
Apesar do apoio da cúpula da Assembleia de Deus, a prefeita enfrenta forte rejeição popular. Pesquisas de 2026 indicam que Adriane Lopes possui uma desaprovação superior a 85%, o índice mais baixo registrado em 126 anos de história de Campo Grande.
Recentemente, a gestão também foi atingida por crises éticas. No final de março, o pastor Douglas Alves Mandu foi exonerado da coordenação de um centro de convivência após ser envolvido em denúncia de estupro contra uma adolescente.
Com informações: O Jacaré
Fuxico Gospel

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