Em 12 de março de 2017, no bairro Jardim Planalto, em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, a missionária adventista Simone Moura Facini Lopes, de 31 anos, entrou pela última vez na casa de um homem que acreditava estar ajudando. Ela dedicava parte da vida à caridade, levando comida e roupas limpas, além de alfabetizar e conduzir estudos bíblicos para pessoas em situação de vulnerabilidade.
Foi assim que conheceu Francisco Lopes Ferreira, de 64 anos, um ex-presidiário que começou a frequentar sua igreja. Enquanto Simone enxergava um homem carente de instrução e apoio espiritual, ele desenvolvia uma obsessão silenciosa. Embriagado, passou a fazer comentários obscenos e a alimentar uma paixão doentia pela missionária.
Na última visita, após ela avisar que não retornaria mais por causa do comportamento perturbador dele, a violência explodiu. Francisco a atacou com golpes de marreta, amarrou seu corpo à cama e praticou violência sexual. Depois, a polícia descobriria que ele já havia cumprido pena por três estupros anteriores — incluindo o de uma criança. Os investigadores também descobriram que o assassino se passava por analfabeto para garantir a atenção de Simone, apesar de ser plenamente alfabetizado. Um histórico brutal escondido atrás da aparência frágil de idoso solitário.
Em 11 de junho de 2019, o caso teve seu desfecho no Tribunal do Júri de São José do Rio Preto. Francisco Lopes Ferreira foi condenado a 36 anos de prisão pelos crimes de homicídio qualificado, estupro e cárcere privado. A sentença confirmou a crueldade de um crime que chocou o país.
O caso destrói uma fantasia repetida em discursos religiosos e sociais: a de que bondade, fé ou acolhimento são suficientes para transformar qualquer pessoa. Especialistas em psicopatia e transtornos antissociais alertam há décadas que certos indivíduos não desenvolvem empatia genuína nem remorso verdadeiro. Simone era casada e deixou um filho de 12 anos. Sua morte tornou-se um lembrete sombrio de que solidariedade sem prudência também pode ser fatal. Nem toda vítima aparente é inocente, e nem todo predador revela os dentes antes do ataque.
Por Nilton Cesar Santana 13/05/2026
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