quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

ONDE ESTAVA DEUS NO PERÍODO DA ESCRAVIZAÇÃO

 



O financiamento da escravidão pelas igrejas católicas e protestantes não foi um desvio moral isolado, nem um erro de época. Foi um projeto econômico, político e teológico. Durante séculos, ordens religiosas acumularam terras, pessoas escravizadas, dízimos e privilégios enquanto legitimavam a violência com versículos selecionados e sermões cuidadosamente moldados. A cruz caminhou lado a lado com o chicote. A fé foi usada como tecnologia de dominação, ensinando obediência, culpa e resignação a quem precisava ser controlado.

Esse pacto nunca foi rompido de verdade. Ele apenas mudou de forma. A estrutura permaneceu intacta e suas consequências atravessam o presente. Hoje, vemos milhões de pessoas de ascendência africana profundamente enfiadas em igrejas que reproduzem a mesma lógica colonial, agora embalada em discursos de prosperidade, salvação individual e meritocracia espiritual. O altar continua servindo como espaço de domesticação, onde se aprende a agradecer pela migalha e a venerar quem sempre concentrou poder.

O resultado é visível. Descendentes de África ajoelhados diante de líderes religiosos e políticos que defendem projetos autoritários, coloniais e violentos. A repetição histórica é cruel. A cena se atualiza quando figuras públicas como Nicki Minaj ou Snoop Dogg escolhem bajular Donald Trump, símbolo contemporâneo desse mesmo sistema. Não é ingenuidade nem distração. É a atualização do velho capitão do mato, agora com microfone, fama e contratos milionários.

Enquanto isso, as igrejas raramente fazem autocrítica real sobre seu papel na escravidão e no racismo estrutural. Preferem falar de perdão abstrato, nunca de reparação concreta. O colonialismo religioso segue vivo porque ainda produz lucros, poder e controle. Romper com isso exige memória, coragem e ruptura com a fé usada como algema. Sem esse enfrentamento, a história seguirá se repetindo, sempre com novas roupas e os mesmos senhores.


nós por nós .🔥


Por: Carmem Silva Marketing 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.