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sábado, 7 de maio de 2022

Futuro da democracia-- Dois milhões de jovens eleitores estão em jogo

Foto: Reprodução/TRE-CE--
A faixa etária dos 16 aos 21 anos prefere Lula, mas Bolsonaro tem maior penetração, capilaridade e diálogo no ambiente digital, onde os jovens são maioria Nesta quinta-feira, 5, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Edson Fachin, anunciou que a Justiça Eleitoral registrou o recorde histórico de novos eleitores entre 16 e 18 anos. Mais de dois milhões de jovens eleitores fizeram cadastro eleitoral para participar das Eleições 2022, um número 47,2% maior do que o documentado no mesmo período das eleições de 2018. No total, são 19.720.484 eleitores entre 16 e 24 anos. As razões para a alta adesão dos jovens são campanhas institucionais promovidas pelo TSE e as campanhas independentes promovidas por celebridades e artistas brasileiros e internacionais. Entre os famosos que convocaram os jovens a votar, estão os brasileiros Anitta, Zeca Pagodinho, Felipe Neto e Bruna Marquezine; e os estrangeiros Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo (intérprete de Hulk) e Mark Hamill (que representa Luke Skywalker em Star Wars). Concomitantemente, em março deste ano, a Justiça Eleitoral realizou a Semana do Jovem Eleitor. O ingresso de novos eleitores de 16 a 18 anos aumentou 89,7% em comparação com os meses anteriores. Além disso, a resolução do TSE nº 23.659/2021, trouxe possibilidade de adolescentes de 15 anos tirarem seus títulos de eleitor. Porém, esses jovens só poderão votar caso já tenham completado 16 anos no dia do primeiro turno da eleição para a qual realizaram o alistamento. O presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás, Itaney Campos, afirmou em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, 5, que o número de jovens eleitores no estado foi de 60,8 mil – 85% a mais do que o registrado no mesmo período de 2020.
(Foto: Reprodução/TRE-CE)-- O ministro Edson Fachin afirmou na quinta-feira: “Vimos, como há muito não se via, um país unido pelo bem, pela concórdia, pelo fortalecimento da democracia. Agradeço a cada um e a cada uma, influenciador ou não, famoso ou não, jovens de todas as idades que participaram e criaram conteúdos nas redes sociais para chamar a atenção de todos”. Análise Como resultado, cientistas políticos esperam que as demandas dos mais jovens ganhem espaço nas campanhas eleitorais. Considerando que o número de votos válidos em 2018 se repita (104 milhões), os 19,7 milhões de jovens representarão um quinto de todo o eleitorado. Segundo a última rodada da pesquisa Datafolha, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem preferência da maioria dos jovens entre 15 e 24 anos. No recorte por idade, o petista vence em todas as faixas etárias, mas tem maior vantagem – de 51% – entre os mais jovens. A menor é entre quem tem mais de 60 anos, de 39%. O presidente Jair Bolsonaro (PL) tem 22% da preferência na faixa etária de 16 a 24 anos. O grupo que mais apoia o atual chefe do Executivo é formado por quem tem mais de 45 anos, 29%. Ciro Gomes (PDT) e Sérgio Moro (Podemos) empatam na faixa mais jovem, com 6%, e têm dois pontos porcentuais de diferença em todas as outras, o que os mantêm em empate técnico pela margem de erro.
(Guilherme Carvalho, cientista político | Foto: Reprodução)-- Especialista em sistemas eleitorais e cientista político, Guilherme Carvalho, afirma que é necessário parcimônia para pensar sobre o assunto. “Não devemos supor que todo esse engajamento se reverta em votos”, diz. “Além disso, como é um fato muito recente, é cedo para bater o martelo acerca de qual candidato será beneficiado pelo recrutamento dos novos eleitores.” Guilherme Carvalho lembra que a eleição brasileira mais polarizada até o momento foi a de 2006 – pois os votos ficaram divididos entre apenas dois candidatos, Lula e Alckmin, mais do que nos demais pleitos. As eleições de 2022, entretanto, têm potencial para serem ainda mais polarizadas, e a própria polarização pode explicar parcialmente o recorde. Além disso, o cientista político lembra que o recrutamento decolou apenas no último mês, e que até o início março se temia que o ano de 2022 ficasse marcado como aquele com menor recrutamento eleitoral histórico, proporcionalmente à população de jovens. O que mudou a partir de março foram as campanhas feitas por celebridades e influenciadores digitais no ambiente das redes sociais. “O principal meio de comunicação dos jovens é a internet”, diz Guilherme Carvalho. “Twitter, Instagram, WhatsApp são onde debatem. YouTube é onde se informam. Nesse sentido, vimos uma demonstração da força do cabo eleitoral digital muito maior do que a do cabo eleitoral tradicional, que aperta mãos pela rua. Isso veio para ficar. É uma mudança do jogo que se intensifica a partir de agora.” Sobre as possíveis consequências do recrutamento de jovens, Guilherme Carvalho reafirma a importância da parcimônia. “De fato, os jovens podem ser critério de desempate nas eleições, mas devemos nos lembrar que o registro do eleitor não necessariamente tem a ver com engajamento no debate público. Entre os 17 e os 18 anos, o jovem usa o título para entrar na faculdade; está em uma fase da vida que gera muitos documentos, como o do alistamento militar. Enfim, ainda não podemos dizer que todos esses dois milhões de novos eleitores significam dois milhões de novos votos”. Guilherme Carvalho diz que são necessárias mais pesquisas específicas para esse público antes que possamos tirar qualquer conclusão do assunto. “Acredito que as campanhas eleitorais ainda são muito analógicas”, afirma o cientista político. “O PT busca aproximação com o jovem por meio de influenciadores e celebridades, mas Bolsonaro tem um contato muito mais orgânico, com penetração capilarizada nessa faixa etária e com um diálogo mais direto. Sua popularidade na faixa etária é baixa, mas até outubro poderemos ver mudanças no cenário.” Por Italo Wolff Fonte:https://www.jornalopcao.com.br/

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