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quinta-feira, 5 de maio de 2022

Polícia investiga mortes de idosos em clínica particular de SP

A SSP (Secretaria de Segurança Pública) afirma que as duas mortes suspeitas foram registradas pelo 20º Distrito Policial (Água Fria) A Polícia Civil investiga a causa da morte de idosos em menos de 24 horas em uma instituição de longa permanência no Jardim Japão, zona norte da capital paulista. Foram três mortes da tarde do dia 19 até a madrugada do dia 20, mas somente dois boletins de ocorrência foram elaborados. O primeiro óbito, o de uma mulher de 95 anos, ocorreu na tarde de terça-feira (19). A família não comunicou o fato à polícia e, por isso, não está sendo investigado. No início da madrugada de quarta (20), morreram João Guilherme Filho, 71, e Ordália Maria Marques Dias, 78. Segundo familiares, os dois idosos tiveram sintomas como febre e diarreia. No dia 18, cerca de 40 moradores da casa foram vacinados com uma dose de reforço contra o coronavírus e outra de influenza (gripe). As vigilâncias sanitárias da cidade e do estado de São Paulo formaram uma comissão para apurar o caso e informaram que esta totalmente afastada qualquer possibilidade de ligação entre as mortes e alguma reação das vacinadas. Ambas as instâncias consideram as investigações encerradas. A SSP (Secretaria de Segurança Pública) afirma que as duas mortes suspeitas foram registradas pelo 20º Distrito Policial (Água Fria) e estão sendo investigadas por meio de inquérito policial instaurado pelo 19º Distrito Policial (Vila Maria). “Os laudos periciais constataram que as mortes foram causadas por tromboembolismo pulmonar e foram analisados pela autoridade policial. Os frascos de vacinas dos mesmos lotes aplicados nos idosos foram apreendidos e enviados ao Instituto Adolfo Lutz para que fossem submetidos às perícias pertinentes”, diz a SSP em nota. “As investigações prosseguem para esclarecer todas as circunstâncias das mortes”, completou a secretaria. Na semana das mortes, equipe das vigilâncias sanitárias da cidade e do estado de São Paulo foram ao local e se reuniram com os proprietários do estabelecimento, que é particular. Em seu relatório, escrito na sexta (29), o Centro de Vigilância Epidemiológica, órgão estadual, afirma que passou a investigar um possível evento adverso após aplicação da vacina contra Covid da Janssen e contra influenza do Butantan e concluiu que não há relação causal. “Os três idosos faleceram entre 24 e 36 horas após a vacinação, portanto o período não compatível para um quadro de STT [Síndrome de Trombose com Trombocitopenia]”, diz o CVE. O fenômeno trombótico, segundo o centro, é um evento extremamente raro e é mais comum entre os mais jovens. “O início dos sintomas acontece a partir do quarto dia após a vacinação. Além disso, é esperada plaquetopenia [plaquetas baixas]”, diz o laudo. Um hemograma realizado em um dos idosos apresentou níveis normais de plaquetas. “A vacina Covid-19 do laboratório Janssen, do mesmo lote usado na ILPI, foi aplicada em 229.399 pessoas com mais de 60 anos de idade” na cidade de São Paulo sem registros de eventos adversos, escreveram os especialista do centro. “O município de São Paulo recebeu 206.520 doses da vacina influenza do laboratório Butantan. Quase todas as doses foram aplicadas e não houve registro de eventos adversos graves pós-vacinação”, concluíram. O órgão da prefeitura foi na mesma linha, afirmando que “o grupo de trabalho de Eventos Adversos Pós-Vacinação” concluiu que os três óbitos não têm relação com a vacinação contra a Covid-19″. Já a assessoria do Ministério da Saúde disse, por telefone nesta terça (3), que foi comunicado pela secretaria estadual de São Paulo e que o assunto está encerrado. A pasta reforçou que “tromboembolia pulmonar é um evento frequente em idosos acamados, especialmente com comorbidades e quadros infecciosos, de múltiplas causas possíveis”. À polícia, uma funcionária da clínica contou que quase todos os idosos do local “tiveram diarreia e/ou vômito”. O relato consta nos boletins de ocorrência. De acordo com o médico João Roberto Oba, presidente da Associação dos Médicos Legistas do Estado de São Paulo (Amlesp), a tromboembolia pulmonar é um quadro comum entre a população idosa. Ele falou de forma geral, sem se referir aos casos em específico. “O agente biodinâmico é qualquer alteração interna ou externa do organismo, o que provoca um choque ou a insuficiência múltipla de órgãos. Dentre essas alterações, o tromboembolismo pulmonar”, explica o especialista. “Os pacientes idosos têm propensão [ao tromboembolismo pulmonar] porque ficam mais acamados ou sentados, isso favorece a formação de coágulos”, completa. A Anvisa disse na semana passada que não recebeu notificações sobre os três casos, mas que acompanha as investigações junto ao Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e Imunobiológicos (Cifavi). Procurada pela reportagem nesta terça (3), a agência não respondeu até a publicação deste texto. Para o infectologista Renato Kfouri, os eventos adversos graves após a vacinação com os imunizantes do coronavírus ou da gripe são raros. “Não há registro de evento adverso grave com nenhuma dessas vacinas e nem quando aplicadas simultaneamente [no mesmo dia], mas precisa ser investigado. É mais fácil ter sido um surto de Covid-19, gripe ou vírus respiratório”, opina ele, que também é diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). As vacinas foram aplicadas na própria instituição onde estavam os idosos por profissionais da UBS Vila Maria/Doutor Luiz Paulo Gnecco na segunda. Adriana Marques Dias de Sá, filha de Ordália, disse que, ao ir até a instituição após a morte da mãe, foi informada dos outros casos. “Achei melhor chamar à polícia, sabia dos os demais casos. Os próprios policiais me orientaram a fazer um boletim de ocorrência. Eu nem pude cremar o corpo da minha mãe ainda, um pedido que ela me fez, porque um policial disse que poderia precisar exumá-lo”, disse Adriana. A Janssen afirmou que analisa cuidadosamente os relatos de eventos adversos em indivíduos que recebem seus medicamentos ou vacinas. “Qualquer relato sobre uma pessoa que recebeu nossa vacina contra a Covid-19 e a nossa avaliação desse relato são compartilhados com a Anvisa e outras autoridades sanitárias apropriadas”, disse a companhia. O Butantan afirmou não ter sido notificado por nenhuma autoridade. Os sócios do Lar Jardim Japão não quiseram conceder entrevistas, alegando que, conforme a ética profissional, não têm permissão para passar informações de pacientes. A instituição está ativa desde 2016, segundo dados do CNPJ na Receita Federal, e continua funcionando depois dos óbitos e de uma inspeção do Sistema Municipal de Vigilância. A mensalidade para hospedagem no local é na faixa de R$ 2.500. Ordália residia no local desde março de 2021 junto com outra filha, que tem paralisia cerebral. Satisfeita com o nível de organização e a infraestrutura, Adriana diz que pretende manter a sua irmã no mesmo local. Fonte:https://jornaldebrasilia.com.br/

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