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sábado, 29 de agosto de 2026

A relação entre a Congregação Cristã no Brasil (CCB) e a Assembleia de Deus (AD) tem origem em um episódio de ruptura interna ocorrido em 1928, segundo relatos históricos reunidos por pesquisadores do movimento pentecostal brasileiro.

 



A relação entre a Congregação Cristã no Brasil (CCB) e a Assembleia de Deus (AD) tem origem em um episódio de ruptura interna ocorrido em 1928, segundo relatos históricos reunidos por pesquisadores do movimento pentecostal brasileiro.

A Congregação Cristã no Brasil foi fundada em 1910 no interior de São Paulo pelo missionário ítalo-americano Louis Francescon, formando comunidades ligadas à Assembleia Cristã de Chicago. A Assembleia de Deus, por sua vez, nasceu em 1911 em Belém do Pará, fundada pelos suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg, que haviam sido enviados como missionários pelo movimento pentecostal sueco. Nos primeiros anos, o contato entre as duas lideranças foi de proximidade: registros das memórias de Vingren descrevem uma relação amistosa entre os grupos no início da década de 1920.

Segundo o levantamento histórico, a mudança de cenário começou quando Francescon passou a se ausentar com frequência do Brasil em viagens ao exterior, deixando a condução das congregações brasileiras a cargo de lideranças leigas locais. Foi nesse período que, segundo pesquisadores, começou a se consolidar um perfil mais fechado e denominacionalmente rígido dentro da Congregação.

O cisma de 1928 ocorreu justamente nesse contexto de disputa interna de liderança. Uma parte dos membros insatisfeitos com os rumos da administração da Congregação se desligou e passou a integrar a Assembleia de Deus, que naquele momento começava a se instalar na capital paulista. Relatos internos da própria CCB apontam o nome de Ernesto Iananni entre os que deixaram a Congregação nesse período rumo à Assembleia de Deus, enquanto Felippe Pavan permaneceu à frente do grupo que manteve a estrutura original. A reconciliação entre as facções remanescentes da Congregação só viria meses depois, com a intervenção do ancião Augusto Lencioni, enviado ao Brasil a pedido de Francescon.

Esse episódio de separação é apontado por pesquisadores como uma das origens do distanciamento histórico entre as duas denominações. Segundo apologistas ligados à Assembleia de Deus, o episódio teria dado origem a um relato difundido dentro da própria CCB de que a Assembleia de Deus teria sido fundada por ex-membros da Congregação — versão que circula até hoje entre fiéis da denominação, mas que carece de comprovação documental mais ampla, já que a Assembleia de Deus já existia desde 1911, dezessete anos antes do cisma de 1928.

O nome oficial "Congregação Cristã do Brasil" só passou a ser adotado formalmente pelas congregações do grupo remanescente a partir de 1932, sendo estendido a todas as igrejas da denominação em 1936, ano de seu registro civil no país.


Fonte: Icp.com.br, Canal História Pentecostal e Itamar Coutinho - História Pentescostal, outros historiadores do movimento.


Foto Montagem JM: Louis Francescon e Gunnar Vingren. Estes foram dois dos principais pioneiros do movimento pentecostal no Brasil na década de 1910.


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