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segunda-feira, 20 de junho de 2022

“A vida é valiosa”, diz mãe de meninas atropeladas

Foto: Vitor Mendonça/ Jornal de Brasília
Diná, mãe de Ana Júlia e Ester Isabely, está aliviada de ter as filhas de volta em casa três semanas após o acidente “São nesses momentos em que percebemos como a vida é valiosa”, afirmou Diná Ester Rodrigues da Fonseca, de 24 anos, mãe de Ana Júlia, 7, Ester Isabely, 11, e tia de Bruna, 5, que foram atropeladas no domingo do dia 22 de maio em Ceilândia. Elas retornaram para casa na última segunda-feira (13) após cerca de três semanas no Hospital de Base se recuperando. Passando inicialmente por um coma, elas foram se recuperando com a ajuda de aparelhos para a respiração, retomaram a consciência, e agora, de volta ao Sol Nascente, onde moram, Ana Júlia e Bruna usam temporariamente uma cadeira de rodas para locomoção devido a um ferro que está fixado no fêmur para garantir que os ossos fiquem estáveis e se movam o mínimo possível nesta fase. A alegria em voltar para casa está estampada no sorriso e leveza das crianças, que agora passam o tempo desenhando, fazendo aulas de capoeira – movimentando os braços e tronco – e conversando com os amigos do Instituto Abraço Solidário, onde passam boa parte do tempo. Diná não escutava as risadas das filhas e sobrinha desde antes do acidente. “No hospital elas não falavam muito. Na verdade elas estavam muito tristes. Às vezes os médicos brincavam, mas elas mal falavam, principalmente no começo. Agora é que estão assim com o riso frouxo”, disse a mãe, que olhou com alívio para as meninas desenhando em uma mesa de plástico no instituto comunitário no Sol Nascente. Depois que passou a fase grave, Diná agradeceu a Deus. Segundo ela, o medo da morte foi o maior dos temores enquanto não havia notícias de recuperação. “O resto a gente cuida”, comentou. Ela também teve receio de que as meninas não pudessem mais andar por causa das artes marciais que costumavam praticar e até competiam. “Elas correm e brincam, então para uma criança ficar sem andar é ruim. Ficamos com medo de ter alguma coisa mais grave na bacia, que também poderia deixar elas sem andar.” Dia do acidente Foto: Vitor Mendonça/ Jornal de Brasília
No dia do acidente, Diná relebra o desespero em ver as crianças jogadas na rua, desacordadas. Ela recebeu a notícia por uma garota que chegou correndo no Instituto, avisando o que tinha acontecido e que as meninas estavam mortas. Com o carro, ela e o marido foram para o local. Em aflição, as encontraram no chão, mas não conseguiam acreditar que as pequenas estavam sem vida. Após o socorro do Corpo de Bombeiros Militar do DF (CBMDF) e a chegada no hospital, lhe confirmaram de que, apesar da gravidade da situação, as meninas estavam todas vivas. “Falaram que tiveram traumatismo craniano e tantas outras coisas. Mas mesmo que falassem que elas tinham realmente morrido, eu não pensaria isso. Ao mesmo tempo em que você não acredita, a situação está na sua frente”, contou. “Enquanto elas estavam no hospital, um pensamento ficou na cabeça, de que elas vão ficar bem, vão ficar bem, vão ficar bem”, enfatizou Diná. “E de madrugada estabilizaram a situação, fizeram uma cirurgia e elas foram para a UTI, ficando alguns dias de coma”, relatou. Para acompanhar as crianças, Diná revezou a ida ao hospital com a avó das meninas em alguns dias. A rotina adotada foi de ficar três dias junto das crianças no Plano Piloto, e voltar para casa para tomar banho e “arrumar algumas coisas”. Depois, o ciclo se repetia. Ela dormia na unidade hospitalar separada das meninas apenas por uma divisória baixa de madeira. Temor de sequelas “Também tememos alguma sequela na cabeça, porque as quatro tiveram traumatismo craniano. A mais velha [Ester Isabely] teve alguns devaneios. Ela reconhecia alguém em um momento, mas em outro falava algo fora do normal; isso foi nos primeiros dias. Depois de uma semana, melhorou bastante. Agora percebo que ela tem poucos desses mesmos sintomas; o neurocirurgião nos disse que com o tempo ela vai recuperando cada vez mais”, ressaltou a mãe. Foto: Vitor Mendonça/ Jornal de Brasília
Por conta da batida, uma das sequelas de Ana Júlia foi o desenvolvimento de estrabismo. Segundo a mãe, no momento do acidente, o impacto atingiu um nervo que transmite informações da visão no cérebro. Para saber se foi um ferimento interno permanente, a família terá de esperar mais quatro meses. Durante o período, ela poderá voltar a enxergar normalmente ou poderá precisar de uma cirurgia ocular para reverter o quadro. A frequência das consultas ainda está indefinida, mas as primeiras consultas aconteceram nesta primeira semana em que voltaram para casa. Além dos tratamentos com um ortopedista e um neurologista, outros profissionais também serão consultados ao longo dos próximos meses para avaliar toda a condição física e mental das crianças. Os custos serão arcados pelo Governo do DF. Para ajudar na recuperação caseira e evitar infecções decorrentes dos pinos nas pernas, as crianças precisarão fazer uso de amoxicilina. Como elas não sentem tantas dores na perna, apenas alguns pequenos incômodos, não será necessário um remédio contra a dor. A única que precisará de outro medicamento é Ana Júlia, que fará uso de Fenitoína, fármaco utilizado após neurocirurgias para evitar complicações decorrentes dos procedimentos. Foto: Vitor Mendonça/ Jornal de Brasília
Consultas na fisioterapia também não serão necessárias, uma vez que as crianças recuperam a mobilidade melhor e mais rápido que adultos, segundo disseram à Diná. De acordo com a mãe, a mentalidade das meninas foi preservada e elas não lembram boa parte do que aconteceu no acidente. “Elas nem sabem direito o que aconteceu, graças a Deus. […] Uma hora uma fala que foi porque pisaram no braço dela, e que por isso precisou ir para o hospital; outra vez fala que caiu; outra vez apenas diz que não sabe. Só a mais velha [Ester Isabely] que se lembra mais, e acha que foi uma caminhonete branca [que as atingiu]. Acho que ela confundiu por conta do tamanho da situação. Antes ela até achou que tinha sido um caminhão”, afirmou a mãe. Para ela, as crianças não querem pensar no que aconteceu porque, agora que estão de volta em casa, focam apenas nos momentos de diversão. “O bom da criança é que elas só pensam em brincadeiras. Já querem voltar a sentar no tatame [onde faziam as aulas de artes marciais] e ir para a escola, mas elas estavam sentindo mais falta de casa e do Instituto, que é como nossa segunda casa”, disse. “Dou graças a Deus porque no começo foi muito ruim, com muita dor, muito sofrimento. Recebíamos muitas informações ruins de vários diagnósticos, mas ainda bem que nos falavam também que crianças são fortes e têm a recuperação rápida. Agora que saímos do hospital e elas estão bem, dou graças a Deus. Agora é só melhorando”, destacou. A família está pensando em preparar uma festa para celebrar o “segundo nascimento” das meninas, comemorando a volta para casa e a recuperação delas depois do acidente. Só não organizaram ainda devido à quantidade de consultas que precisam ir. Assim que a situação acalmar, farão uma celebração juntamente com a comunidade, que, segundo Diná, ajudou muito com orações e palavras de carinho e encorajamento enquanto estavam no hospital. Fonte:https://jornaldebrasilia.com.br/

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