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domingo, 9 de janeiro de 2022

Presidente do Cazaquistão autoriza exército abrir fogo contra manifestantes

Foto:(crédito: Alexandr Bogdabnov/AFP)
Presidente Kassym-Jomart Tokayev descarta negociar com "terroristas" e autoriza militares a dispararem contra manifestantes, "sem aviso". Revolta teve início no domingo, após alta no preço do gás. Tropas da Rússia reforçam a segurança da ex-república soviética A mensagem, publicada no Twitter, reforçou o tom de enfrentamento acenado durante o pronunciamento à nação, mais cedo. "Eles estavam espancando e assassinando policiais e jovens soldados, incendiando prédios administrativos, saqueando locais privados e lojas, matando cidadãos seculares, estuprando mulheres. Em minha visão básica: sem conversa com os terroristas, devemos matá-los", escreveu o presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev. No discurso televisionado em rede nacional, Tokayev foi explícito. "Eu dei ordens às agências de aplicação da lei e ao Exército para, onde for necessário, abrirem fogo sem aviso prévio", declarou. "Que tipo de negociação pode ocorrer com criminosos e assassinos? Tivemos que lidar com bandidos armados e treinados, tanto cazaques quanto estrangeiros. Eles devem ser eliminados, e isso será feito em breve", acrescentou. Em seu pronunciamento, Tokayev advertiu que "a democracia não significa permissividade, nem incitamento, inclusive na blogosfera (internet), a ações ilegais". Em Almaty, a maior cidade do Cazaquistão e capital econômica, com 1.185.900 habitantes, corpos crivados de balas foram abandonados pelas ruas, em meio a carros carbonizados e destroços. A ex-república soviética enfrenta um levante popular sem precedentes, deflagrado pela alta no preço do gás. Ontem, forças russas desembarcaram no país para ajudar na repressão e para proteger os prédios públicos, invadidos nos últimos dias. "Criminosos" O Ministério do Interior do Cazaquistão anunciou, ontem, que 26 "criminosos armados" foram mortos e 18 ficaram feridos desde o início dos protestos. A pasta assegurou que "todas as regiões do país" estão "liberadas" e "tomadas sob maior proteção". Pelo menos 70 postos de controle foram erguidos em várias áreas. O número exato de mortos é desconhecido, mas fala-se em centenas. Ao tentar contato com moradores de Almaty, a reportagem foi informada de que as autoridades impuseram um bloqueio total à internet. Segundo a agência de notícias France-Presse, pequenos mercados reabriram suas portas, ainda que as prateleiras estivessem praticamente vazias. Era difícil encontrar até mesmo produtos básicos. Especialista em Ásia Central pelo Foreign Policy Research Institute (em Londres), o alemão Maximilian Hess classificou como "chocante" a decisão do presidente cazaque de autorizar disparos letais. "Essa decisão está enraizada na percepção equivocada de que todos os cidadãos que protestam são vândalos e terroristas. A adoção dessa linha-dura por Tokayev é chocante. Ao levarmos em conta o apelo pelas forças de segurança russas, isso se torna ainda mais desestabilizador", afirmou ao Correio. Hess vê surpresa no fato de que os protestos se transformaram em manifestação nacional de raiva. "Houve um crescente descontentamento com a estagnação econômica e a transição de poder administrada pelo ex-presidente Nursultan Nazarbaev, em março de 2019, o qual permaneceu no centro de uma elite cleptocrática. No entanto, o que provocou a escalada tão rápida dos protestos no Cazaquistão segue uma incógnita." De acordo com o estudioso, Putin trabalhou muito bem com Nazarbaev. "Além disso, ainda há uma sobreposição entre os oligarcas russos e cazaques. Timur Kulibayev, genro bilionário de Nazarbaev, faz parte da diretoria da Gazprom (maior empresa de energia da Rússia). Não acho que os oficiais russos teriam previsto que estariam em Almaty agora. Se o Kremlin procurar sustentar o sistema que Nazabaev construiu, então, será muito duro para os russos irem embora", comentou Hess. Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, contou que o presidente Vladimir Putin e Tokayev conversaram em várias ocasiões, nos últimos dias, sobre "a situação no Afeganistão e ações conjuntas no âmbito da CSTO" — a Organização do Tratado de Segurança Coletiva, liderada pela Rússia. O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, alertou as autoridades de Nursultan (antiga Astana) que terão dificuldade para que as tropas russas abandonem o território cazaque. Foto:AFP
Foto:Ministério da Defesa da Rússia/AFP
Foto:Alexandr/AFP
Fonte:https://www.correiobraziliense.com.br/

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