Urna eletrônica | Foto: Reprodução
Júnior Kamenach
Atuação desses criadores de conteúdo, especialmente em períodos eleitorais, passou a ser vista como um ponto de atenção.
O crescimento do papel dos influenciadores digitais no debate público tem levado campanhas e autoridades eleitorais a discutir os limites entre liberdade de expressão e propaganda eleitoral.
A atuação desses criadores de conteúdo, especialmente em períodos eleitorais, passou a ser vista como um ponto de atenção para a Justiça Eleitoral. Segundo o advogado eleitoral Danúbio Remy, o alcance ampliado das redes sociais criou uma zona de incerteza jurídica.
advogado eleitoral Danúbio Remy | Foto: DivulgaçãoHoje, um único vídeo pode alcançar milhões de pessoas em poucas horas. Quando esse conteúdo envolve apoio explícito ou indireto a candidatos, é preciso avaliar se estamos diante de uma simples opinião ou de uma publicidade eleitoral não declarada”, afirma.
A legislação brasileira permite a manifestação individual de apoio político, mas estabelece regras específicas para propaganda eleitoral, especialmente quando há impulsionamento pago ou relação direta com campanhas.
Nesse contexto, especialistas apontam que a atuação de influenciadores pode ultrapassar o campo opinativo e se enquadrar como propaganda irregular. De acordo com Remy, há riscos jurídicos tanto para os criadores de conteúdo quanto para candidatos e partidos.
“Existe um risco concreto de multas e outras sanções quando há impulsionamento irregular, ausência de identificação de publicidade ou até mesmo quando há benefício direto a candidaturas sem a devida transparência”, diz.
Outro ponto observado é a eventual contratação informal de influenciadores por campanhas eleitorais. Nesses casos, os gastos precisam ser declarados corretamente à Justiça Eleitoral.
A omissão pode gerar questionamentos na prestação de contas e, em situações mais graves, comprometer a regularidade da candidatura. O monitoramento digital também tem avançado nos últimos anos.
Ferramentas utilizadas pela Justiça Eleitoral e por órgãos de fiscalização permitem rastrear conteúdos patrocinados e identificar padrões de divulgação. Isso reduz a possibilidade de ações não declaradas passarem despercebidas.
A tendência é que o tema ganhe mais relevância nas eleições de 2026, diante do aumento do uso de estratégias digitais por candidatos. Especialistas avaliam que o desafio será equilibrar o direito à livre manifestação com a necessidade de transparência e igualdade de condições na disputa eleitoral.
Fonte: Jornal OPÇÃO


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