A frase pronunciada pelo senador Magno Malta durante um encontro do PL no Espírito Santo certamente emocionou muitos dos presentes. Mas ela também levanta uma pergunta que merece reflexão: quem pode falar em nome de Deus?
Ao afirmar que "Deus mandou dizer" que Ele não vota e que delegou aos cristãos a missão de impedir que a esquerda permaneça no poder, o discurso ultrapassa o campo da opinião política e reivindica autoridade divina para uma posição eleitoral.
É justamente aí que reside o problema.
Cristãos podem e devem participar da política. Podem defender ideias, valores e projetos para o país. O que merece debate é quando preferências políticas passam a ser apresentadas como vontade revelada de Deus.
As Escrituras jamais autorizam líderes religiosos ou políticos a transformarem suas escolhas eleitorais em mandamentos divinos. A missão da Igreja é anunciar o evangelho, formar consciências e proclamar o Reino de Deus, não declarar que Deus endossa este ou aquele projeto de poder.
O terceiro mandamento continua atual: "Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão" (Êxodo 20:7). Tomar o nome de Deus em vão não é apenas pronunciá-lo de maneira irreverente. É também utilizá-lo para conferir autoridade celestial às próprias convicções, especialmente quando elas servem a disputas de poder.
Quando alguém diz "Deus mandou dizer", assume uma enorme responsabilidade. Afinal, quem coloca palavras na boca de Deus deixa de falar apenas por si mesmo e reivindica falar em nome do próprio Criador.
Deus não precisa ser transformado em avalista de ideologias nem em cabo eleitoral de candidatos.
Fé não é cabo eleitoral. Deus não pertence à direita, à esquerda ou a qualquer partido político.
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