Supremo Concílio da IPB decide se movimento masculino de imersão se alinha à doutrina reformada.
Por Letícia Passos
A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) decide no fim deste mês se o movimento Legendários se alinha com sua doutrina religiosa. Legendários é um projeto de imersão cristã pra homens que, através de pregações religiosas e desafios de sobrevivência ao ar livre, busca evocar um ideal de masculinidade e o papel de "provedor" descritos na Bíblia.
O tópico está na pauta da reunião quadrienal realizada pelo Supremo Concílio, autoridade máxima da denominação. O conselho, a ser sediado em Manaus (AM), começa no próximo domingo (26/7) e deve atrair mais de 1.600 integrantes de 404 presbitérios brasileiros.
Segundo documento obtido pela Folha de S. Paulo, um texto formulado em uma assembleia presbiteriana no Tocantins aconselha que pastores, presbíteros, diáconos e membros da igreja não participem e nem divulguem o Legendários.
Conforme o parecer, o movimento não é compatível com a doutrina reformada, historicamente ligada às igrejas protestantes, como a presbiteriana e a metodista
Na avaliação da comissão responsável pelo documento, o movimento incorpora métodos característicos do coaching, incluindo dinâmicas de forte apelo emocional, o que acabaria por deslocar a centralidade das Escrituras e da obra redentora de Jesus Cristo.
Se o texto receber aprovação, passará a servir como diretriz oficial para toda a denominação. A partir disso, conselhos regionais poderão examinar individualmente a situação de fiéis que permaneçam vinculados ao Legendários, com o objetivo de exercer "vigilância pastoral" e, quando julgarem necessário, "orientar, em amor, os irmãos que tenham aderido a tais movimentos".
Criado na Guatemala e introduzido no Brasil em 2018 pelo pastor Ricardo Bernardes, o Legendários é um movimento cristão voltado exclusivamente ao público masculino. A iniciativa afirma buscar o resgate daquilo que define como a "configuração bíblica original" do homem e do chamado "instinto caçador", sob o argumento de que muitos homens teriam se afastado de suas responsabilidades na sociedade contemporânea.
Entre as críticas dirigidas ao projeto está a avaliação de que ele estimula uma visão de masculinidade baseada na exaltação da virilidade, associada a discursos considerados machistas e a elementos da chamada teologia do coaching.
Em contrapartida, o movimento sustenta que os desafios físicos e emocionais propostos durante as imersões são fundamentais para formar homens preparados para exercer o papel de provedores e protetores de suas famílias e comunidades de fé.
O documento também contesta a adoção de práticas inspiradas no ambiente corporativo, como estratégias de marketing e técnicas motivacionais. O parecer cita como exemplos o uso de gritos de guerra, camisetas padronizadas e sistemas de identificação numérica dos participantes, "referindo-se, em alguns casos, ao Senhor Jesus de forma inadequada como o ‘Legendário 001’".
Segundo a avaliação da comissão, esses elementos representam "nítido desvio" do Evangelho, "transformando a piedade em um produto de consumo grupal e performático".
Outro ponto levantado pelo texto diz respeito às atividades desenvolvidas durante os retiros. Conforme o parecer, experiências como restrição alimentar, intenso desgaste físico e pressão psicológica podem provocar estados emocionais posteriormente interpretados como manifestações espirituais.
O documento ainda alerta para o risco de surgimento de divisões entre os chamados "legendários" e os demais membros das igrejas, o que, na visão da comissão, tende a enfraquecer a unidade das congregações e a autoridade exercida por pastores e conselhos.
Ao concluir a análise, a comissão afirmou que o Legendários apresenta características associadas ao neopentecostalismo e, por essa razão, considera que o movimento é incompatível com a tradição histórica do presbiterianismo.
O Correio Braziliense entrou em contato com a Igreja Presbiteriana do Brasil e com o Legendários para pronunciamento, mas, até o momento de publicação deste reportagem, não obteve resposta. O espaço permanece aberto para manifestações.
Legendários em Brasília
O movimento também promove atividades na capital federal. Segundo o movimento do DF, os encontros reúnem "homens em jornadas que combinam desafios físicos, momentos de reflexão, liderança e ações de impacto social".
A edição mais recente foi realizada em maio deste ano, enquanto a próxima já está prevista para acontecer dos dias 17 a 20 de setembro, dando continuidade ao calendário local de atividades do grupo.
A página do Instagram do movimento brasiliense reúne mais de 80 mil seguidores e acumula publicações convocando participantes para o próximo encontro.
Fonte: Correio Brazilense
Supremo Concílio da IPB decide se movimento masculino de imersão se alinha à doutrina reformada.
Por Letícia Passos
A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) decide no fim deste mês se o movimento Legendários se alinha com sua doutrina religiosa. Legendários é um projeto de imersão cristã pra homens que, através de pregações religiosas e desafios de sobrevivência ao ar livre, busca evocar um ideal de masculinidade e o papel de "provedor" descritos na Bíblia.
O tópico está na pauta da reunião quadrienal realizada pelo Supremo Concílio, autoridade máxima da denominação. O conselho, a ser sediado em Manaus (AM), começa no próximo domingo (26/7) e deve atrair mais de 1.600 integrantes de 404 presbitérios brasileiros.
Segundo documento obtido pela Folha de S. Paulo, um texto formulado em uma assembleia presbiteriana no Tocantins aconselha que pastores, presbíteros, diáconos e membros da igreja não participem e nem divulguem o Legendários.
Conforme o parecer, o movimento não é compatível com a doutrina reformada, historicamente ligada às igrejas protestantes, como a presbiteriana e a metodista
Na avaliação da comissão responsável pelo documento, o movimento incorpora métodos característicos do coaching, incluindo dinâmicas de forte apelo emocional, o que acabaria por deslocar a centralidade das Escrituras e da obra redentora de Jesus Cristo.
Se o texto receber aprovação, passará a servir como diretriz oficial para toda a denominação. A partir disso, conselhos regionais poderão examinar individualmente a situação de fiéis que permaneçam vinculados ao Legendários, com o objetivo de exercer "vigilância pastoral" e, quando julgarem necessário, "orientar, em amor, os irmãos que tenham aderido a tais movimentos".
Criado na Guatemala e introduzido no Brasil em 2018 pelo pastor Ricardo Bernardes, o Legendários é um movimento cristão voltado exclusivamente ao público masculino. A iniciativa afirma buscar o resgate daquilo que define como a "configuração bíblica original" do homem e do chamado "instinto caçador", sob o argumento de que muitos homens teriam se afastado de suas responsabilidades na sociedade contemporânea.
Entre as críticas dirigidas ao projeto está a avaliação de que ele estimula uma visão de masculinidade baseada na exaltação da virilidade, associada a discursos considerados machistas e a elementos da chamada teologia do coaching.
Em contrapartida, o movimento sustenta que os desafios físicos e emocionais propostos durante as imersões são fundamentais para formar homens preparados para exercer o papel de provedores e protetores de suas famílias e comunidades de fé.
O documento também contesta a adoção de práticas inspiradas no ambiente corporativo, como estratégias de marketing e técnicas motivacionais. O parecer cita como exemplos o uso de gritos de guerra, camisetas padronizadas e sistemas de identificação numérica dos participantes, "referindo-se, em alguns casos, ao Senhor Jesus de forma inadequada como o ‘Legendário 001’".
Segundo a avaliação da comissão, esses elementos representam "nítido desvio" do Evangelho, "transformando a piedade em um produto de consumo grupal e performático".
Outro ponto levantado pelo texto diz respeito às atividades desenvolvidas durante os retiros. Conforme o parecer, experiências como restrição alimentar, intenso desgaste físico e pressão psicológica podem provocar estados emocionais posteriormente interpretados como manifestações espirituais.
O documento ainda alerta para o risco de surgimento de divisões entre os chamados "legendários" e os demais membros das igrejas, o que, na visão da comissão, tende a enfraquecer a unidade das congregações e a autoridade exercida por pastores e conselhos.
Ao concluir a análise, a comissão afirmou que o Legendários apresenta características associadas ao neopentecostalismo e, por essa razão, considera que o movimento é incompatível com a tradição histórica do presbiterianismo.
O Correio Braziliense entrou em contato com a Igreja Presbiteriana do Brasil e com o Legendários para pronunciamento, mas, até o momento de publicação deste reportagem, não obteve resposta. O espaço permanece aberto para manifestações.
Legendários em Brasília
O movimento também promove atividades na capital federal. Segundo o movimento do DF, os encontros reúnem "homens em jornadas que combinam desafios físicos, momentos de reflexão, liderança e ações de impacto social".
A edição mais recente foi realizada em maio deste ano, enquanto a próxima já está prevista para acontecer dos dias 17 a 20 de setembro, dando continuidade ao calendário local de atividades do grupo.
A página do Instagram do movimento brasiliense reúne mais de 80 mil seguidores e acumula publicações convocando participantes para o próximo encontro.
Fonte: Correio Brazilense