O que faria uma família matricular o filho em uma escola não pode usar brinco, barba, bigode, cabelo comprido ou colorido, moicano e até riscos na sobrancelha? Uma escola em que até a aparência faz parte das normas disciplinares? A resposta pode dizer muito mais sobre o Brasil do que sobre as próprias escolas cívico-militares.
Muita gente acredita que essas famílias estão em busca da melhor educação. Em alguns casos, até sim. Mas para uma parcela significativa delas, a prioridade seja outra: disciplina.
Quem trabalha em escolas públicas de periferia sabe que a crise de autoridade não acontece apenas dentro da sala de aula. Ela também está dentro de muitas casas. Há pais exaustos, sobrecarregados e que já não conseguem estabelecer limites para os próprios filhos. Quando escolhem uma escola cívico-militar, muitas vezes estão procurando alguém que consiga fazer aquilo que eles próprios sentem que perderam: a capacidade de serem respeitados.
Enquanto isso, famílias de alta renda costumam escolher escolas por outros critérios. Perguntam sobre desempenho da escola no ENEM, aprovação nas melhores universidades, ensino bilíngue, intercâmbio, tecnologia, programação e o ambiente social onde seus filhos construirão relações e oportunidades. Procuram uma escola capaz de ampliar o repertório intelectual e a rede de contatos que seus filhos carregarão pela vida. Em muitas escolas de elite, o colega de sala pode ser o futuro ministro, desembargador ou CEO de um grande grupo econômico. A escola não oferece apenas conteúdo; ela cria amizades que, anos depois, podem se tornar sociedades, indicações e oportunidades.
O problema nunca foi ensinar disciplina. Toda escola precisa dela. A questão é outra: por que o filho do pobre é preparado, antes de tudo, para obedecer, enquanto o filho do rico é preparado para decidir, liderar e ocupar os espaços de poder?
Se você pudesse pagar R$ 10 mil por mês em uma escola para seu filho (sem te fazer falta), escolheria uma cívico-militar ou uma escola bilíngue com intercâmbio? Seja sincero(a). #pedagogia #escola #educação #escolacivicomilitar #professor

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